Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.
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28 de fevereiro de 2023

 

Sobre a Ucrânia

Sérgio Sousa Pinto
https://www.youtube.com/watch?v=eWZcFYytUOo

 

(meu comentário)

E mais: aqueles que não percebem, não podem ou não querem perceber que a derrota da Ucrânia é a derrota do sistema mais livre e mais solidário que até agora a Humanidade conseguiu construir (a Europa Ocidental), vão perceber que a Besta putinisca russa (que não são os russos) vão levar-nos porventura para uma guerra generalizada, e que vai haver trincheiras e que muitos desses: hesitantes, teoricamente “neutros”, analistas “independentes” e os partidários da tirania de Putin vão estar na outra oposta à minha e à da maioria, e que vai haver tiros, e bombas (nucleares, quem sabe?) e que nenhum dos lados vai hesitar em aniquilar o outro, Acabaram-se os amigos, as discussões “democráticas”, as divergências consentidas, não vai haver espaço para os falsos idealistas que propõem a paz em abstracto. Vamos matar-nos!

E aí, espero que sejam os “colabos” putiniscas a morrer (acreditando, muito a sério, que alguns daqueles tomarão o partido certo na hora da verdade).

(Queriam falas mansas? A bala não tem mansidão!)


28 de junho de 2019

O Prédio Coutinho, em Viana do Castelo


O Prédio Coutinho
Viana do Castelo, outra tragédia.
Prédio Coutinho: qual foi o crime dos moradores? Não querer abandonar um andar próprio construído e autorizado legalmente pela Câmara Municipal? Acharem que que os motivos declarados para a demolição não são de "urgente interesse público"?
Pois é isto que se nos depara, um Estado (via Câmara) que ora autoriza "mamarrachos" ora os quer deitar abaixo, segundo interesses e agendas que não são as do interesse público.
Os moradores têm todo o direito a resistir e a denunciar a tirania de uma Câmara. Não se trata de uma ferrovia, de uma estrada, de um aeroporto ou de construções semelhantes destinadas a servir uma comunidade e que tecnicamente por ali teriam de passar, e ao qual, portanto, qualquer interesse individual teria de se vergar.
Não, trata-se da construção de um mercado e do "deita abaixo" de um prédio que atenta contra a paisagem.
A nossa opinião estética interessa pouco (pois claro que é um "mamarracho"). O que importa aqui é saber quando é que o Estado se pode desdizer, ora autorizando, ora mudando de opinião, sem ter em conta o interesse do cidadão que foi no engodo da compra de um andar com soberba vista para o rio, virado a Sul?
Como podemos nós ficar descansados, sabendo que, pela mesma via, se proíbem automóveis antigos de entrar em centros de cidade e se prevê o mesmo para os de gasóleo?
Com que direito (e interesse) o Estado nos obriga a comprar carros novos, quando os proprietários zelosa e ecologicamente trataram bem os antigos em sua posse? O que será mais ecológico, a fabricação de novos, com todo o gasto de materiais a isso ligados, ou a manutenção dos velhos?
E porque se vai proibir os actuais carros a “diesel” de também entrar nas cidades, quando não se interdita a sua venda e mesmo o seu fabrico?
Que Estado é este que legaliza hoje o que proíbe amanhã?
Falando agora de política (como se estivéssemos a falar de outra coisa!), repito-me dizendo que saber o papel do Estado na sociedade é de facto uma da grandes cisões societárias, entre aqueles partidários do progresso social, de um lado, e, do outro, os “sistémicos” e “situacionistas”, os dogmáticos (por exemplo, todos os “sempristas”: os que votam sempre no mesmo partido, ou aqueles sempre “à direita” ou sempre “à esquerda”, ou outros repetidores de mecanismos políticos autossuficientes incapazes de pôr e de se pôr em causa).

7 de dezembro de 2018

José Manuel Ramos Penafort Campos (1949 / 1987)




Álbum de Gratidão
Entre os que foram e os que estão, invocando as suas acções positivas a favor da comunidade, aquela a que pertencemos e para a qual os aqui chamados são ou foram exemplo.                           6.12.2018

Tertúia com jantar
José Manuel Ramos Penafort Campos
(1949 / 1987)
Após uns anos de afastamento, pós acontecimentos de 74 até 76, reencontramo-nos num acaso; daqueles que a vida nos oferece, envolto no mistério que essa palavra “acaso” traz consigo (o poeta disse que não os há, mas antes encontros).
Dizia eu que, esse fulminante reencontro, no ano de 1986, nos trouxe, à Fernanda e a mim, a alegria renovada pela retoma de relações por quem nos sentíamos próximos: a Joana e o Zé Manel Penafort.
Recordo-me bem da última refeição que tomamos juntos na vossa casa: bacalhau assado, por ele, na lareira da casa.
Falamos de muita coisa, mas não no passado, que queríamos ambos não esquecer, mas deixar para mais tarde, quando o saber que o tempo traz, nos alumiasse melhor a memória.
O tempo não apaga. O tempo tapa, até que vem uma brisa e destapa.
E acertamos um reencontro em lugar afastado. Onde?
Em Viena de Áustria, caso o nosso F.C.Porto chegasse à final europeia, conforme esperávamos.
Aproximava-se a data e o Porto somou as vitórias necessárias para chegar ao Pratter , em Maio de 1987.
Pelo telefone, eu de Bruxelas, ele no Porto,  acertamos a coisa: encontramo-nos lá e tu arranjas os bilhetes para 9, que eram os que iriam de Bruxelas para Viena em carros próprios, ficando uns dias mais para visitar a cidade.
A data mais perto, 27 de Maio, tudo acertado, iria receber pelo correio os prometidos bilhetes.
E surge o fatídico dia 19 de Maio. Um pesaroso telefonema da nossa Joana e uma bomba rebenta nos nossos ouvidos e transmite-se ao corpo, aos meus, à casa.
Passaram-se uns dias, poucos, a vida impassível no seu curso, e a realidade era lembrada pelos amigos que se juntariam a nós em Viena: 7, distantes do acontecido, mas respeitosamente silenciosos face ao ambiente pressentido, sabendo nós que a viagem estava programada, hotéis reservados.
Teria sido entre 21 e 23, uma carta, bem volumosa, chega-me às mãos no serviço. Reconheci a letra, 9 bilhetes ali estavam capeados por um papel manuscrito onde se podia ler:
“Até os comemos!
Vemo-nos em Viena!”
Em Viena nada foi velório, tudo foi, quase, contagiosamente festivo.
Ele queria-o, e acho mesmo que o vi, do outro lado do estádio, a esbracejar e a gritar:
“Comemo-los!”

2 de outubro de 2017

Catalunha e o nacionalismo




Falsa oposição: o internacionalismo e o federalismo são conceitos que se adoptam ou não. Eu adopto! O nacionalismo vem de dentro, dos nossos Pais e da nossa comunidade, da nossa língua e da nossa cultura. Pode renegar-se, claro, e isso tem nome. Eu sou nacionalista português, europeísta e defendo uma Europa Federal e um reforço dos poderes das Nações Unidas no mundo, sobretudo no armamento.
E na Catalunha a questão não é República ou Monarquia, "esquerda" ou "direita", a questão é Liberdade. Contra o direito dos Catalães estão franquistas, PP's, o PSOE ("irmão" do nosso PS), muita "direita" e muita "esquerda" e extremas dos dois lados. Uns, porque é é "extrema-esquerda" que manipula", outros, porque é "a rica burguesia" que quer mais lucro, outros, porque são "internacionalistas", outros ainda porque nem sequer sabem distinguir um Estado de uma Nação.
Pelo direito a exprimir por voto o seu desejo estão Catalães.
Contra uma nação com um bom nível de vida para trabalhadores, com uma sólida burguesia, com um povo letrado e esclarecido, o governo manda a polícia e tropa. Não lhes vale de nada! Mesmo sem referendo, se por acaso..., como vai governar Madrid milhões (mesmo que não maioritários) de cidadãos que não aceitam esse mando e essa imposição? O "referendo" passa, mas a revolta continua.
Que faz Filipe VI? Cala-se, esconde-se, mas também não pode dizer muito porque não fala catalão, uma da línguas do país onde reina.
Longe vai o tempo em que alguns monarcas e imperadores - valha-lhe isso - se colocavam em posição equidistante das nações que governavam e procuravam, pelo menos em alianças, respeitar as diferenças e sensibilidades do seu país.
Os catalães dão uma lição ao mundo: contra matracas e balas de borracha, a serenidade de um grande povo.

22 de setembro de 2017

Referendo na Escócia




17 de Setembro de 2014 ·
Amanhã, mudará o mundo?
Na Escócia reside uma certeza e uma esperança.
Os Estados-nação (do XIX) e os sistemas “socialistas” (do XX) fracassaram completamente na criação de comunidades políticas plurinacionais. Sem excepção, a coacção de uma grei (a do poder de Estado) sobre as outras foi de regra, dos falantes da língua d’oïl aos grão-russos, passando pelos sérvios até à Espanha actual.
O jacobinismo e o “socialismo de Estado” prepotentes conseguiram quase eliminar, ou transformar em exotismo turístico, as peculiaridades de certas nações esvaziando-as do conteúdo próprio (a língua, a cultura e a vontade autónoma). Esses sistemas seguiram-se aos grandes impérios/reinos multinacionais em que se, por um lado, as particularidades foram, nalguns casos, mais respeitadas do que hoje (por exemplo, na Sublime Porta), por outro, o despotismo os levou à perdição.
As Revoluções Francesa e Soviética, falando das mais sonantes, nos seus objectivos igualitários e uniformizadores menosprezaram as componentes nacionais, erigindo Estados que pretensamente tratariam por igual os seus cidadãos, mas que no dia-a-dia impunham uma maneira e uma língua, a da nação dominante. As poderosas máquinas administrativo-políticas instituídas não poderiam conceber que, para além das necessidades materiais e de funcionamento de uma sociedade, os aspectos imateriais e subjectivos, ligados à identidade própria de partes dessa mesma sociedade, têm um peso primordial na sua vida e na procura da sua felicidade.
Normalizadores “per natura” e por convicção, jacobinos, socialistas, comunistas, fascistas e outros, não conseguiram, no entanto, “limpar” por completo algumas das nações dominadas – muitas delas mais antigas que a dominante – permanecendo estas num limbo secular de que agora despertam, reafirmando-se. Um novo mundo e uma nova Europa deverão definir-se doravante pela união livre e voluntária das nações e não apenas pelas prepotências dos Estados-nação, por muito “democratas” que estes possam ser.
Um cidadão nascido numa comunidade concreta, com uma língua e cultura que não sejam a dos do poder (curdos, catalães, corsos, etc.) nunca, mas nunca, conseguirá ter as armas políticas e legais que lhe permitam uma afirmação social, na sua língua, de par com a reinante. Se se rebaixa usando a do poder, então até pode resultar num tirano pior ainda que aqueles falantes (Napoleão que era corso, Franco, galego, Hitler, austríaco, Estaline, georgiano, etc.).
Relembro também que na estruturação intelectual concebida e imposta pelas nações dominantes nos Estados-nação o papel que representa a historiografia e a língua oficial (a da nação dominante) é arrasador em relação aos dominados. Como exemplos gritantes acentuo o apagamento da importância extraordinária, mesmo na construção europeia, da cultura e língua da Occitânia, na História de França, ou a atitude do Instituto Cervantes de olvido quase total das outras línguas da Espanha actual (é apenas o espanhol que promove). Permito-me, em relação a Espanha, dizer aos meus amigos monárquicos, que Filipe VI (se pudesse, se soubesse e se fosse “a tempo”) perdeu uma oportunidade histórica de, pelo menos, atrasar as afirmações nacionais no seu país, ao discursar apenas em castelhano na sua coroação. Que efeito teria se tivesse dividido o seu falar nas 4 línguas do Estado?
Temos portanto, amanhã, a possibilidade de assistir não apenas a um acto histórico do reavivar cívico de uma nação antiga, a Escócia, como também, pelo exemplo, o aparecimento de um efeito dominó, que recolocará a Europa no caminho dos seus fundamentos, refazendo de par os seus princípios. E só assim se pode entender a profunda reflexão de Jean Monnet, logo no início da construção europeia: "se fosse hoje, teria antes começado pela cultura...". repito, apenas desta forma e não numa lírica visão de aprofundamento ou inter-relacionamento cultural, é que o dito se entende.
Para um português, mesmo atento, este movimento, imparável aliás, de afirmações nacionais, tem sido de difícil compreensão (constato). “Vão criar-se novas fronteiras”, “agora que estamos em União, estas reivindicações não fazem sentido”, “é melhor juntos que separados”, “são objectivos secundários, sobretudo, em situação de crise”, etc.
O facto de temos uma cultura nacional, ainda que nada homogénea nem “unificada” (malgrado os esforços do poder, via a RTP mormente), impede-nos por vezes de perceber o querer de nações que vivem sob a pata castrante de outras. Poderíamos entender melhor se, sem 1640, hoje fôssemos uma das 5 nações da imperial Espanha e fôssemos obrigados a preterir a nossa língua pelo castelhano e a nossa maneira pela deles. Quantos de nós não estariam agora barricados na rua a exigir independência? Quantos não estariam nas prisões, em Navarra ou nas Baleares (que assim faz Madrid aos nacionalistas galegos, por exemplo)? Quantos não teríamos, às tantas! e infelizmente, posto uma bombita no posto da “Guardia Civil” mais próximo?
Ser nação é um estar incomparável a qualquer outro desiderato também legítimo dos povos, nomeadamente o de uma maior equidade social. E os sonhos “igualitários”, como no início deste texto descrevi, baqueiam e baquearão todos se não compreenderem esta qualidade social, transversal e irrenunciável. Porquê? Não porque a “abstração” da língua e da cultura por si só o motive, mas porque intrínseca e irrefragavelmente apegada à ideia de nação, está o desejo de afirmação e da prática, no quotidiano, dessas mesmas cultura e língua, ou seja o exercício da Liberdade (daí que ditadores e acólitos sejam os seres mais “aculturados” que a História regista).
E pela liberdade morre o pássaro, bem alimentado, na gaiola, sempre asseada e asséptica.
Joaquim Pinto da Silva
PS. Se o Não amanhã ganhar na Escócia ou se a Espanha continuar a “fazer de conta” à irrefutável vontade catalã de autonomia total, o caminho está traçado. Inevitavelmente!
As nações tratam o tempo por tu.

15 de julho de 2015

Oh heresia!


"Muitos acreditaram que a novidade residia na forma das ideias e não nas ideias mesmas, falta oriunda da miserável educação filosófica recebida" (Sampaio Bruno, A Geração Nova, pp. 23, 1a ed., 1886).
E se o genial e ignorado Bruno acerta, mais uma vez, e se o articulista (a quem estimo pelo que li) tem demonstrado a seriedade, política... e literal, que tem faltado ao PS, o artigo cai no enraizado erro que estrangula a sociedade portuguesa: o de pretender unir o que é repulsivo entre si, e ainda bem.
Como é possível unir aquela “massa” heteróclita sem que antes eles todos respondam a questões fundamentais de política pura, que os dividem inexoravelmente, por exemplo: quem defende a propriedade privada? Quem é na hierarquia administrativa funcional, mais importante, o cidadão ou o Estado? O Estado, e os seus funcionários (políticos e administrativos) devem ter preponderância sobre o cidadão (contribuinte também)? Qual a posição a ter perante governos como o de Chavez, de Bush, de Khadafi (para falar só dos defuntos políticos)? e por aí adiante…
Por isso, bendigo as desavenças eternas entre a nossa “esquerda”. É que há muita gente generosa, culta e socialmente útil nesses meios misturada com emblemados de lapela que se autoconvenceram de uma superioridade que não merecem.
E, ao contrário do articulista, creio que para se encontrar uma caminho de progresso, de transformação, de emancipação do trabalhadores (e dos outros), é necessário cortar de vez com esta metodologia de pôr a “forma das ideias” à frente destas.
Discutam-se as ideias. Filosofe-se, primeiro. Depois se verá!

(isto a propósito de:

http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4678986 )

21 de janeiro de 2015

Regionalizar aumenta a despesa?


Sobre este tema que partilhei no Facebook:

http://www.publico.pt/politica/noticia/costa-rui-rio-e-silva-peneda-defendem-avanco-da-regionalizacao-1682570

(resposta que dei a comentários que afirmavam que a regionalização traria mais despesa, logo mais impostos, e que pode servir para outros)

Bons amigos (Jorge, estás em boa companhia, o nosso simpático embaixador nos Países Baixos, e, é claro, que este nosso Embaixador também está, com um ilustre conterrâneo do nosso Nobel da medicina),
Pois o argumento de ambos é conhecido. Com a honestidade devida, até porque é o país que está em jogo, devo dizer que não tenho os fundamentos técnicos finais que me permitem assegurar firmemente que com a regionalização não haveria mais despesa pública.
Poderia responder como muitos: não sai mais caro! e, disso estando convencido, necessito todavia de mais informação.
O que posso dizer, e alguma coisa conheço do assunto, por interesse próprio e por aprendizagem na vida profissional, é que muita da despesa, muitíssima, do actual Estado centralizado e centralista desapareceria e que uma regionalização implicaria uma reforma do Estado global. Seria uma regionalização e, indispensável, uma descentralização de serviços e meios.
A regionalização foi inscrita na aprovada Constituição de 1976. O actual quadro partidário que se apoderou do aparelho de Estado necessita de uma reforma profunda e eu vejo a regionalização como mais uma maneira de o libertar dessa usurpação.
Por outro lado, alguns, demasiados, exemplos de autarcas gastadores e tiranos conviveram sem fricções com esse Estado que os “comprava” com a negligência do “deixar andar” em muitos exageros locais. Recordo, com pesar, e como exemplo do lado pior do poder local, sem um coordenador regional, algumas piscinas municipais (algumas hoje abandonadas), centros “culturais”, equipamentos sociais, meios e redes de transporte, etc., que apenas foram realizadas pela “lonjura” do Estado central e pela inexistência de poderes regionais capazes de racionalizar investimentos.
O grande, e propositadamente esquecido (como se tivéssemos muitos!), filósofo português, Leonardo Coimbra, em 1926, dizia que o caciquismo local era um produto directo do centralismo do Terreiro do Paço.
E é isso mesmo, sustentam-se um no outro. É isso que a regionalização poderá inverter.
Quanto ao municipalismo, resposta histórica que serviu “in illo tempore” para organizar o país quando a capital era longe e as comunicações parcas, ele é hoje ineficaz, tendo em conta a nova situação nas comunicações e a desertificação do interior. Além disso, fica ao critério das autarquias, que eliminam aqueloutras menos poderosas em habitantes e meios.
Os antirregionalização prometeram, durante a malfadada proposta de 98, descentralizar o país. Poderiam tê-lo feito até em temas mínimos, p.e., como alvitrou um meu ex-colega, nomear os Presidentes das CCDR como Secretários de Estado, mas nem isso.
O país afunda-se, a corrupção em larga escala cresceu, porque também (repito, também) os actores da mesma convivem em circuito fechado (almoçam, jantam, bebem copos, passam férias, casam-se, fundam ou cooperam com os mesmo bancos, banqueteiam-se em sociedades de advogados, gerem as Ordens, conspiram de avental e em Obras, etc. ) tudo num raio de 50 km da rotunda do Marquês, numa endogamia social aviltante e prejudicial ao país. Conhecem-se todos, desconhecem o país de quem apenas precisam para os impostos e como cenário para a traficância.
Alguma coisa tem de se fazer… a regionalização é uma.
Um abraço aos dois.

17 de julho de 2014

Sempre juntinhos para o bem... e, sobretudo, para o mal

Facebook, 17.7.2014
A proposito do artigo:
http://expresso.sapo.pt/desbesificar-o-pais=f881591


Artigo que também cheira a retardado, mas muito interessante (aquela confissão poderia ter sido comunicada há muito tempo). Realço aqui, porque o autor não fez, a proximidade e a interdependência social e geográfica manifesta entre os actores políticos, económicos, financeiros e outros. Sei que alguns vão dizer “lá vêm eles outras vez…”, mas não posso deixar de referir que o facto de tosos aqueles sectores funcionarem em vasos comunicantes na capital, almoçando todos no Tavares, no Gambrinus ou em mais meia dúzia de restaurantes referenciados, de beberem um copo nas duas dezenas de bares na berra, de frequentarem as mesmas praias, da Comporta a Albufeira, e fazerem as mesmas viagens e sei lá que mais, isto é, de se encontrarem amiúde, e amiúde confraternizarem em casa de um e de outro… não me digam que isto não favorece o sistema de conluio interpares em que vivemos?
É que não é em Ponta Delgada, nem em Manteigas, nem em Viana, que eles se juntam e, até “sem querer” combinam negócios e farras.
A descentralização política e administrativa é imperiosa para uma regeneração do sistema político-financeiro do país. Mais, é parte integrante da questão social. Não haverá nunca um país equilibrado sem que vários, muitos departamentos do Estado sediem fora da capital, sem que milhares de funcionários, trazidos por esses departamentos, passem a viver em cidades intermédias de Norte a Sul (mesmo que tenham de ser aliciados por subsídios de integração em novo meio (onde aliás terão uma vida mais fácil e mais barata).
Não é a panaceia para o país, mas assim é que não vamos lá.
E junto, para que servem as novas tecnologias se afinal têm "todos" de estar pornograficamente juntinhos?

15 de julho de 2014

Sobre a TAP

14.7.2014, no Facebook

Sobre a Tap, após artigo de Francisco Seixas da Costa.

A TAP nunca foi uma companhia de vocação nacional, no sentido mais puro que esta palavra envolve: servir a nação que, por acaso coincide com um país. 30 anos a viajar entre Bruxelas e Porto permitem-me afirmar que a TAP serviu os poderes e serviu-se a si própria.
Nos últimos anos, de Charleroi ou de Bruxelas mesmo, voando com companhias estrangeiras para a minha cidade comprovei que não faltam passageiros (aviões quase sempre lotados), cumprem-se horários e os voos são mais baratos.
Qual a razão “patriótica” que a mim e à população do norte e do centro-norte (metade praticamente do país) podem invocar para que possamos no que quer que seja defender essa companhia?
Nenhuma!
Sabendo que, como se não bastasse, do erário público saem contribuições directas e indirectas (gostava de saber os montantes implicados nas viagens de membros do governo) para a sua sustentabilidade, que mais é preciso para se por ponto final nessa companhia?
Acautelem-se os postos de trabalho na negociação, optimizem-se as valias (as reparações, por exemplo) em empresas autónomas e… venda-se!

31 de dezembro de 2012

Cosmopolitismo, doença infantil do provincianismo

(Texto que coloquei no blog de João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos, comentando uma triste nota do autor)

Meu caro João Gonçalves,
Essa famosíssima palavra cosmopolita, muito utilizada, claro, em meios (e por) desejosos de se afirmar "acima das pátrias" e dos povos, têm sido imagem de marca de muita tragédia. Lembro as grandes invasões imperiais, de Gengis Khan a Krushev, passando por Napoleão, as grandes arrogâncias convencidas que mais mundo é o “nosso”, onde entre “muitas” línguas impomos a nossa e o nosso modo e, evidentemente, os nossos interesses.
Massamá deve ser hoje um dos centros mais cosmopolitas em Portugal. Muitas nacionalidades (ucranianos, moldavos, brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, portugueses, etc.), muitas línguas, muitas cozinhas e suas adaptações, e além disso ed acima disso uma ideia acima das pátrias (contra até), de todas, desde aquela de origem que lhe não deu garantia de sustento e por isso se lhe evadiram, até à actual que não lhe dá futuro. Isto quer dizer que Massamá é habitada por “cidadãos do mundo”, que estão com certeza despreocupados, tal como o Jorge Gonçalves, pela ideia de região e de pátria, com a diferença que a sua apatridia está mais ligada ao matar a fome do que a do Jorge, que deriva da superação ideal desse “pecado original “ que é o de ter nascido nalgum lado e lhe permanecer apegado.
O meu caro João Gonçalves confronta de uma forma deliberada - porque o vejo homem sabedor (logo, imputável) - cosmopolitismo com regionalismo e, mesmo (adivinha-se) nacionalismo. Mais, incompatibiliza-os.
Sendo do norte e do Porto, com dezenas de anos de vivência forânea, não necessito muito de procurar o que quer que esse “cosmopolitismo” signifique. Quem negoceia em vinho, carne, têxteis, castanha, desde o século XI com a Europa do norte, e tem conterrâneos em toda a parte do mundo, demonstra pela sua vida essa capacidade de se adaptar aos outros e de os atrair até a viver na sua terra (os britânicos, p.e.).
Estou farto de encontrar gente que viaja a cada momento, que viveu dezenas de anos nas grandes metrópoles do mundo, que renega ou olvida as suas origens e que é incapaz do menor raciocínio universalista ou humanista (veja em Portugal os quase inexistentes frutos para o quotidiano dos portugueses, das constantes e repetidas viagens que a nossa classe média empreendeu nos últimos 30 anos).
Conversa de cosmopolitismo é, quase sempre, complexo de autoafirmação no mundo. O cosmopolita não necessita tanto de se declarar, vive-o, e vive-o mesmo que raramente ou nunca tenha saído do seu local de nascimento, pela hospitalidade, pela abertura à ideia diferente, pela capacidade de ver e de respeitar o que está para aquém e além do monte, do rio ou da praia que tem por horizonte.
E, infelizmente para si, meu caro João Gonçalves, e ainda bem para mim e para muitos milhões de seres humanos, cada um de nós tem uma região e uma pátria, e é precisamente por eu ter uma região e uma pátria (e uma língua), e saber o que isso significa, que eu poderei ser um cosmopolita, isto é, um nortenho português, cidadão do mundo.
Com um abraço muito tripeiro e universal do seu
Joaquim Pinto da Silva

27 de julho de 2012

25 de Julho, Dia da Pátria Galega, minha também

A pergunta de oiro (aquela que encerra a resposta)

- Que língua falas, ó Afonso Henriques?
A assistência (de várias origens e tempos) emudeceu. Que pergunta tão estranha e a despropósito.
Então o homem é de pai francês, que quase nem conheceu porque morreu quando ele tinha 2 anos. Francês, não deve ser portanto. A mãe, Teresa (Tareija), vinha do além-Minho; essa falava com certeza galego.
O tutor (aio), fosse ele o Egas Moniz ou o outro, como diz o Mattoso, provinham da zona de Lamego (a sul do Minho), aonde tinham senhorios, e ali, à época, escrevia-se em latim, é certo, tudo o que era oficial. Mas que língua falariam eles?
Alguém, semiletrado, que estudou em Portugal nos manuais da ditadura até 74 ou nos seguintes, até hoje, timidamente, diz:
- Português?
Um, da actual Vila da Feira, mas que viveu no século XIII, sem pejo, questiona:
- Português? Que é isso?
E continua:
- Eu sei que falo o mesmo romance que os da Costa da Morte, de Braga, do Ferrol, de Ponferrada, de Amarante e de toda esta região. Disto estou seguro, porque andei por ali em feiras e assim acontecia.
Um arrepio percorre a parte da audiência mais de sul do Minho e do séc. XXI.
- Nunca pensei nisso!, diz um comerciante.
- Pois, devíamos falar igual, porque se até a poesia se escrevia da mesma forma!, disse um académico.

Foi preciso Afonso, o Rei, que achou estranha e anormal a pergunta, dizer:
- A minha fala é a da minha Mãe e meus avós e da minha corte, onde fossam os da Maia, os Travas, os Monfortes, os Sousas, que raio!
Num canto, envergonhados pela insciência geral, Rodrigues Lapa, Afonso Castelao, Carolina Michäelis e outros eruditos do XIX e do XX, dizem em coro:
- Arre, que demoram a perceber!

Com a minha falta de jeito e saber, mas com a dedicação antiga, profunda e arreigada à causa da galeguidade, que é a minha e devia ser a de todos os que falam esse galego moderno e culto, que é o português, e com uma aperta irmã aos de cima-do-Minho, com quem fazemos Nação.
No dia da Pátria Galega, ou seja, tão meu quanto o 10 de Junho, 25 de Julho de 2012.

9 de julho de 2012

E a moral?

Mesmo que me/nos entristeça, é preciso ir lembrando, até para que as soluções não continuem o desvario.

Em 8 de Julho de 2009

Jorge Coelho defende interesse público

Jorge Coelho considera “preocupante” possibilidade de adiar investimentos públicos O presidente da Mota-Engil, Jorge Coelho, considerou hoje preocupante o anunciado adiamento dos grandes investimentos públicos, medida que classificou de gravosa e que disse constituir um risco para milhares de empregos e para as empresas do sector. “Do ponto de vista empresarial, é preocupante para um grupo como a Mota Engil e para um sector que dá emprego a centenas de milhares de pessoas tudo aquilo que tem a ver com paragens de projectos que estavam a ser desenvolvidos”, disse Jorge Coelho, citado pela Lusa.

E eu tive a oportunidade de comentar em blogue de amigo (http://www.servir-o-porto.blogspot.be/2009/07/e-moral.html):

E a moral? Jorge Coelho, com o dia de ontem bem presente (o homem do aparelho do PS e o mais influente no governo na altura), o dia do presente como objectivo, vem recordar o "dia de amanhã", exercendo de forma clara a função para a qual é pago: influenciar. Pelos vistos, com a consciência aparente (e ou eleitoral?) do governo, a coisa está mais difícil no terreno em que é mais hábil, o do secretista empurrão de dentro do partido, e tem que passar a outro campo, a pública opinião, onde a estratégia se desvenda mais claramente e a sua preponderância pessoal é bem menor. Jorge Coelho quer claramente que, em nome de um presente de regalias/encomendas acima das nossas possibilidades (alicerçado no desvario de obras públicas da última década e meia), a sua empresa garanta as benesses que tem tido ou as aumente, com nítido prejuízo do futuro próximo, bem próximo, que se anuncia mais escuro. A demagógica utilização do aumento do desemprego (com o posto dele incluso, muito provavelmente) esconde a verdade dura e inelutável: mais obras públicas de grande gabarito hoje, significam o adiamento do inevitável desemprego na construção civil no futuro. Neste caso, e contrariando "pela esquerda" os nossos habituais defensores da intervenção estatal por dá cá aquela palha (e que aqui se vão calar) defendo que é melhor para o país pagar o subsídio de desemprego hoje e procurar encontrar soluções de empregabilidade noutros campos económicos, do que apenas adiar o inevitável, e no intervalo delapidar ainda mais a economia e as finanças nacionais "aguentando" empresas que não inovaram e não exportaram à medida da sua aparente potência, e os chorudos salários de quem as serve a alto nível. E dado que muitos se deram, nos últimos dias, a uma tentativa de moralizar mais ainda a vida político-partidária, porque não repetir e fazer um repto a Jorge Coelho: considerando as funções governamentais que exerceu, demita-se de imediato da administração da empresa que o acolheu e que tantos e tão chorudos negócios tem com o sector público, ao ponto de, segundo confessa, ser Estado-dependente (mais uma, num país que segue - dizem os encartados da "esquerda" - o neo-liberalismo mais pérfido).

26 de junho de 2012

Filipe Menezes, o Grande Porto e as suas travessias e travessuras

Para o Carlos Romão,
na estima e admiração pelo seu contributo à defesa do Porto, do Norte e do país através de:
A Cidade Surpreendente: http://cidadesurpreendente.blogspot.be/
e
A Cidade Deprimente: http://outra-face.blogspot.be/

Filipe Menezes, o Grande Porto e as suas travessias e travessuras

Antes de abordar o assunto com a profundidade que ele merece, mas pela urgência de ouvir-se vozes diferentes, gostaria desde já de dar a minha opinião aos cidadãos do Porto/Gaia/Matosinhos sobre duas coisas que Filipe Menezes disse acerca do futuro do Grande Porto.

A primeira e a mais importante: a fusão de Gaia Porto e, eventualmente Matosinhos (e porque não, Gondomar), não deve fazer-se para sermos maiores que Lisboa e a primeira cidade do país. O ser primeiro ou maior não devia entrar na política de progresso e solidária que queremos para Portugal nem a mim me motiva (isto não é futebol). Regiões e cidades houve e há em Portugal que proclama querer ser as primeiras, a “mais” nisto e naquilo. Melhorar, crescer, desenvolver-se não implica ultrapassagens de ninguém.
Quero para o Porto o melhor do presente e do futuro e isso não passa por ser maior do que quem quer que seja, mas antes pela qualidade de vida dos seus cidadãos, a gestão, com a região e em coordenação com o país, do seu património e qualidades. Quem me dera que o Norte fosse o “menos” em Portugal se os seus habitantes tivessem uma vida cultural e economicamente rica. Parece de somenos isto, mas não é. Todos os que começaram assim, acabaram como Ministros e Secretários de Estado em Lisboa despedidos e enxovalhados pelo centralismo, após traírem sem vergonha os que inicialmente neles acreditaram.

A segunda prende-se com as pontes. Ele promete 3 e um túnel. Em geral penso que qualquer ponte, a ser feita nesta altura, tem de ter um principal critério que é, em que medida concorre para o desenvolvimento económico da cidade e da região. Fazer pontes sob a capa da comodidade que oferece no acesso a zonas de lazer (praias) ou que apenas incentivam o já superpovoado sector da restauração parece-me encobrir (tal como o TGV transmutado em “mercadorias” de Sines ou o novo aeroporto de Lisboa) um incentivo ao sector da construção civil, isto é, a um sector culpado do real atraso do país, quer pelo trabalho indiferenciado/escravizante que promove quer pelo lucro fácil que alimentou transferências “offshores” conhecidas. Para além disso, facilitaria ainda o assalto construtivo às poucas zonas verdes das encostas do Douro intercidades e às zonas das praias já a abarrotar, com óbvio prejuízo das populações visitantes e que ali habitam.
De qualquer forma, uma das travessias a “construir”, o túnel entre Lavadores e a Cantareira/Passeio Alegre, seria absolutamente um crime ecológico e cultural. Estas zonas não necessitam de mais automóveis mas antes de os retirar ao máximo dali. A falsa ideia democrática de dar “acesso a todos” levar-nos-ia a liquidar a própria natureza da procura, ou seja, de retirar às zonas os seus atractivos… os que restam. Tenho para mim como verdade que o habitante pobre de Gaia ou do Porto e que quer ter acesso fácil às praias e ao mar prefere de longe ver essas zonas com o mínimo de carros possível, até porque chega ali de transportes.

Necessitamos de olhar para o que se constrói em termos de qualidade de vida, de elevação cultural e humana das pessoas. O nosso modelo não pode ser a desenfreada construção de equipamentos (esplanadas por exemplo) e acessos próprios às zonas que em poucos anos são abandonadas por habitantes e forasteiros. Uma visão cultural e solidária tem de prevalecer sobre o despeito saloio e o novo-riquismo exibicionista.

Eu prefiro uma Ribeira/Barredo enfim restaurada e de vida digna para os seus habitantes que qualquer ponte mais sobre o nosso Douro.

Com um abraço.
Joaquim Pinto da Silva

15 de dezembro de 2011

Caciques e Centralismo

A propósito desta notícia:
http://aventar.eu/2011/12/14/em-alijo-trocam-o-patrimonio-da-humanidade-por-um-monte-de-betao-mas-nao-gostam-de-ser-acusados-disso-por-isso-censuram-todos-os-comentarios-desagradaveis-no-facebook/

"A Província não reage, porque o polvo do Terreiro do Paço chega a todos os recantos da Pátria pelo mau cacique que, sem educar, adormenta, opia e arrasta o povo sonâmbulo” (Leonardo Coimbra, in O Primeiro de Janeiro, de 18 de Setembro de 1924).

Nas sábias palavras de Leonardo, o caciquismo autárquico é também ele – quem diria? –um fino e directo produto do centralismo asfixiante em que vivemos.... Um Portugal amordaçado pelo assalto, e a consequente rapina, à administração central pelos partidos do poder, inevitavelmente faz surgir muitos autarcas “mais papistas que o Papa”, que na sua acção mimetizam o centralismo, até para poderem ser considerados e promovidos na lógica partidocrata.
A “distância” entre o poder central e a autarquia favorece estes tumores locais. Parte da cura é seguramente uma regionalização sem custos, até porque está provada a incapacidade de descentralizar do actual sistema, por muitas juras que alguns façam. Uma regionalização que traga para o seu nível as decisões que são essencialmente do seu interesse (como é este caso) e que em interacção com as autarquias – as estritamente necessárias – encontre também um modo de obstar ao endeusamento partidário e incentive a participação cívica.

30 de setembro de 2010

"A bola no campo da oposição"

"Dizem que se corte na despesa, e não dizem onde… a bola está no campo da oposição", disse Almeida Santos

E não vai dizer, porque onde seria obrigatório cortar antes de mais (sobreudo antes do aumento do IVA que vai empurrar-nos mais para as falências/desemprego) porque lhes doeria igualmente.
Cortar no próprio Estado: na macrocefalia esmagante, nesse polvo assustador que é o maior empregador em muitíssimos concelhos do país, nas fundações e institutos estatais de utilidade duvidosa, terminar com os governos civis e ministros da República nas autonomias actuais, nas benesses dos cargos públicos exageradas, limitar drasticamente salários e facilidades nas empresas municipais e ainda nas para-estatais, como a EDP, a CGD e outras, nesta últimas acabar com o regabofe de se expandirem "internacionalmente" à custa da carestia dos serviços que prestam, e ainda acabar com alguns Ministérios, concentrá-los, reduzir o numero de cargos públicos, reduzir o número de deputados que, afinal, são meras correias de transmissão partidárias, reduzir as subvenções aos partidos e… o que poderia ainda dizer se tivesse tempo e maior conhecimento no terreno?
É por isso que a oposição clássica, PCP e BE incluídos, não sugerirá mais nada! Porque são parte interessada, porque vivem e crescem à custa do dinheiro do Estado, isto é, de nós. Porque pensam e agem dentro dos mecanismos e do fazer que é o corrente, o usual, o que nos pôs nesta situação.
Necessitamos de uma nova visão e de novos dirigentes; necessitamos de uma regionalização SEM CUSTOS para responsabilizar mais os políticos e tê-los perto, podermos vê-los e falar com eles DE IGUAL e não de baixo para cima, de criar regras bem estreitas de responsabilização democrática e funcional a todos os cargos públicos, de olhar a e actuar na economia real, naquela que ainda dá emprego e que produz, destruindo o mito das "inovações" e das "vanguardas tecnológicas" a todo o preço e universais? etc.
Em suma, um novo pensar para um novo agir.


Joaquim Pinto da Silva

11 de maio de 2010

Sobre o Sim, Regiões - por um Partido da Região

Creio que é um passo importante para ajudar o nosso país. As regiões não serão a solução, mas farão parte dela. Acredito que seja mais fácil apoiar, controlar e conviver com políticos que estão mais perto de nós e que se ocupam dos problemas que nós sentimos. O nacional é, na verdade, aquilo que é de cada região mais aquilo que é do seu somatório e das suas implicações na Europa e no mundo. Afinal, sempre éramos do Norte, ou do Alentejo, ou do Algarve, como origem. Agora somos à mesma dali, mas somos mais nacionais, porque ganhamos os nossos compatriotas de Lisboa, que parecia que não eram de lado nenhum.
Joaquim Pinto da Silva

Primeiro comentário ao blog Sim, Regiões: http://simregioes.blogspot.com/ saído do Manifesto de portugueses de Bruxelas aqui publicado:



Pelas Regiões

O nosso país está, como todos sabeis, numa situação muito complicada.
A urgência de acção e a emergência de medidas não se compadecem com a continuação de um centralismo político que vem afundando as regiões e que corre o risco de as asfixiar ainda mais.
Contrariamente ao que alguns dirão, é mais urgente que nunca a mobilização das nossas regiões e das nossas gentes. A ideia da regionalização não pode afogar-se nesse argumento demagógico de que custa dinheiro ou aumenta a burocracia, sabendo nós que a regionalização implicará por certo alguma despesa, mas também alguma poupança (menos deputado nacionais, fim das CCDR's, fim dos governos civis e outras medidas a discutir).
Assim pensando, está em curso um movimento de apoio à criação das regiões políticas em Portugal.
Centra-se no Porto e Norte e nessa base vai trabalhar, podendo alargar-se, por vontade dos seus membros e havendo certas condições, a outras regiões.
Decorre do atrás dito que qualquer cidadão português, de qualquer origem, pode participar neste movimento.
Nesta fase, trata-se de juntar pessoas que partilhem esta vontade e que queiram participar na criação formal de uma estrutura para este fim, um Partido político.
Neste momento, os signatários abaixo (por ordem alfabética) pretendem aglutinar todos aqueles que partilhem do simples princípio enunciado: queremos Portugal regionalizado.
Este núcleo de Bruxelas, formado a partir dos que se manifestarem, participará desde a nascença, na formulação dos princípios, dos métodos e da organização que a estrutura a criar vai implicar.

Bruxelas, 11 de Maio de 2010

http://simregioes.blogspot.com/
simregioes@gmail.com

Ana Faria
Cecília de Beires Côrte-Real
Diogo Moura Moreira
Fernando Vasquez
Francisco Sousa Fialho
Frei Eugénio Boléo
Gonçalo Braga da Cruz
Joaquim Pinto da Silva
Joaquim Tenreira Martins
Jorge de Freitas Monteiro
Pedro Andrade
Pedro Barbosa
Piedade Costa de Oliveira
Rui Ferreira

13 de janeiro de 2010

Portugal e Galiza, do interdito ao crucial

publicado em:
As Artes Entre as Letras, quinzenário cultural, de 31 de Dezembro de 2009;

e na net:

Portal Galego da Língua:
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1662:portugal-e-galiza-do-interdito-ao-crucial&catid=3:opiniom&Itemid=80, com comentários em:
http://www.pglingua.org/foros/viewforum.php?f=8

Vieiros, Galiza:
http://www.vieiros.com/columnas/opinion/1065/portugal-e-galiza-do-interdito-ao-crucial;

A Cidade Surpreendente, de Carlos Romão:
http://cidadesurpreendente.blogspot.com/;

Trabalhadores do Comércio - Iblussom, banda rock:
http://iblussom.blogspot.com/2010/01/portugal-e-galiza-do-interdito-ao.html

Nortadas:
http://www.nortadas.blogspot.com/

Barcos do Norte, Associação para a Preservação, Defesa e Estudo do Património Marítimo
http://barcosdonorte.blogspot.com/

--- X ---


Portugal e Galiza, do interdito ao crucial
- um texto incómodo (a Norte e Sul do Minho) de cultura, de política

1.
Para o comum dos portugueses, o galego e a Galiza representam uma particularidade étnica e uma região entre outras, em que uma gaita-de-foles, as Rias Baixas e um bom marisco fazem quase toda a distinção para com o restante do Estado espanhol.Para alguns outros compatriotas, com alguma formação escolar, trazer-lhes-á uma remota ideia de uma literatura comum (a poesia trovadoresca), de algum relacionamento actual num tal de Eixo Atlântico, entremeado de alguns clichés sociais (o aguadeiro em Lisboa, o carregador na Ribeira, o trabalhador incansável) e talvez um preconceito histórico ligado a uma Mãe galega, Teresa, que perdeu uma batalha com o filho insubordinado que assumia pela primeira vez essa condição "superior" de português fundador, o "primeiro".

2.
Uma ditadura iníqua no século XX, uma Inquisição sanguinária (ainda que o Porto apenas tivesse tido um Auto-de-Fé, contrastando com as centenas em Lisboa e, sobretudo, de Évora e Goa) e um nacionalismo centralista afirmado sempre contra a imperial Castela, poderosa e ali ao lado, ajudaram a criar e a manter alguns dos grande mitos fundadores "nacionais", todavia vigentes, apoiados num desconhecimento que se encosta mais ao comodismo intelectual das ideias feitas do que a uma ignorância, também verdadeira, etária, geográfica e socialmente alastrada.Portugal, na sua vertente histórica de Condado Portucalense, despega-se do restante da Galiza por um acto, comum à época, de afirmação senhorial em relação a um suserano de quem não poderia já tirar vantagens, antes pelo contrário, já que toda uma Reconquista para sul prometia terras a perder de vista e levas de vassalos contribuintes. Com essa independência (do Reino de Leão), que dura há quase 900 anos, em que desenvolve as suas capacidades próprias sociais, estruturais, psicológicas e linguísticas, chega ao que é hoje: senhor de uma História rica e de uma língua pluricontinental de poder crescente.Mas a questão que sobra, ignota de muitos e relegada (por medo das consequências que poderia produzir e secundarizada pela iletrada tecnocracia vigente) é saber qual é nossa matriz cultural essencial?Nascemos do nada? Temos Viriato (que viveu seguramente a maior parte da sua vida em território hoje de Espanha) e os lusitanos (povo do qual nem sequer sabemos a língua que falava) apresentados como substrato nacional, porquê?Talvez a necessidade de afirmação nacional do ex-condado e do Portugal da altura obrigasse a um "desvio" no rigor dos nossos historiadores, comum a muitos povos, para fugir a uma verdade que poderia ainda abalar a nossa frágil independência? Talvez?A "lusitanização" de que se fala com muita frequência ao norte e ao sul do Minho, foi uma etiquetagem. Os portugueses encontraram no termo "lusitano" o mito genético para construírem uma independência mais segura. Pensariam que mantendo o cordão umbilical galego estariam mais sujeitos a uma intervenção da Grande Espanha (com Castela dominadora), que tinha absorvido a Galiza a norte do Minho, pois poderia induzir-se pretensão anexionista futura.Creio que foi esta a astúcia que permitiu justificar um Portugal, nascido do "nada" e "inventor" de uma língua que "sem origem" (a não ser o latim, apagando quase mil anos de História), e, por isso, Castela não tinha justificação nenhuma para impedir um povo/língua/cultura tão "diferente" do resto da Península, de ser independente. Recordemos, de passagem, que é o Cisma do Ocidente (1378-1417) que impondo a adaptação das estruturas eclesiásticas às estatais da altura, provoca de facto a separação política "final" entre as duas regiões.Mas porque é que hoje, integrados numa Europa que nos garante, valha-nos isso!, a paz e a segurança internacional, não retomamos o caminho da ciência e da verdade históricas e não afirmamos sem peias que Portugal é de matriz cultural essencialmente galega?Porque não se diz claramente que o galego é a nossa língua de partida, aquela de onde brotou a nossa variante, desenvolvida, apurada e internacionalizada, chamada português?Porque se persiste em não explicar desde a instrução primária essa origem comum, insistindo-se em "escavar sinais" de vontade autonómica nos séculos anteriores?As simples manobras de aproximação transfronteiriça, como muito bem assinalou Camilo Nogueira (um dos galeguistas mais esclarecidos na actualidade e que citamos aqui várias vezes), são um processo acomodatício, válido é claro para um relacionamento económico mais forte, mas que não basta para cumprir as nossas obrigações históricas e actuais, e defender o nosso passado e os nossos interesses.

3.
Nascidos antes mas estruturados nos movimentos liberais do século XIX, os Estados-nação já culminaram a sua função destruidora da diversidade política e nacional interna (CN). O conceito de que a um Estado, de fronteiras reconhecidas, corresponde uma nação de per si, com a lógica da jacobina igualdade cidadã e uma imposição de jure de uma língua comum, "aprofundando" assim a necessidade dessa comunidade linguística, "naturalmente " aceite, isto é, imposta por uma centralização, levaram, por exemplo, na França, à quase destruição, pelo menos ao aniquilamento político, da Bretanha, da Alsácia, da Córsega, do País d'Oc, e de outras nacionalidades, mais umas que outras, sobrevivendo ainda uns restos de sentimento nacional "recuperável" na ilha mediterrânica.Em Espanha, pese os esforços de Castela, três nações conseguiram resistir até hoje, mantendo não apenas as suas línguas nacionais, mas também acesa a chama nacional e a vontade de perseguir os desígnios próprios a cada nação, a soberania à cabeça.A ideologia "nacionalista" do Estado-nação (o pior dos "nacionalismos", porque disfarçado de supranacional) projecta sobre as nações internas a acusação de pretenderem a constituição de nações etnicamente uniformes, contrapondo a ideia de povo à de território, que seria a própria de Estados como o espanhol, que teriam assim os atributos da pluralidade, da diversidade e, incluso, da mestiçagem e da democracia (CN).Na Galiza - ou não fosse tão igual a nós - existe uma situação de impasse, motivada, é certo, pela pressão terrorista de um centralismo avassalador, mas sobretudo por um movimento nacionalista preso a um esquerdismo - que é a doença infantil do galeguismo - que recusa abrir-se a outras camadas sociais ou que indistingue luta nacional e luta social, prejudicando gravemente um objectivo próprio, horizontal e acima de qualquer outro (acima, disse bem!), dando a volta, mas cedendo no fundo (e ainda com C. Nogueira) ao marxismo dogmático de Hobsbawn que qualifica os nacionalismos das nações sem Estado, como um fenómeno historicamente transitório, identificável com os interesses das burguesias, à maneira do que, em Portugal, deve ser o pensamento de um Bloco de Esquerda sobre esta questão, ou de outra "esquerda", mais larga e novo-rica que confunde o ser do mundo com a perda empobrecedora da personalidade própria (CN).

4.
Na Galiza, o eixo principal pelo qual a luta nacional tem de passar, e que "beneficiou" neste momento do ataque desenfreado do espanholismo linguístico (que acusou os nacionalismos de querer impedir o bilinguismo, quando o problema é exactamente o inverso) é o da língua.O nacionalismo, presa ainda do conceito maximalista atrás citado e, nalguns sectores, ainda de um isolacionismo (bem burguês (pequeno), aliás) hesita em tomar a peito esta questão, armando-se da coragem dos Pais Nacionais do galeguismo político (primeira metade do Século XX).Se ser nação é assumir a possibilidade de construir um Estado. mais verdade ainda é ser nação é que a língua própria seja indiscutivelmente a língua nacional" (CN). E esta, o galego só a pode cumprir cabalmente, se for aglutinadora e cimento de um povo, se se lhe der a continuidade histórica necessária, aquela que o galego enquanto tal, remetido durante muitos séculos a língua apenas oral e rural, não pôde beneficiar, mas que o galego, enquanto português, se temperou, tornando-se não apenas língua literária de larga produção mas ainda língua pluricontinental, a quinta mais falada no mundo (maternal).

Citamos o mais conhecido galeguista português, até hoje, Rodrigues Lapa:
Certos indivíduos, arvorados em linguistas, ignoram ou fingem ignorar a diferença entre vários tipos de língua: a que falamos no trato quotidiano, propriamente a fala; a que empregamos na escrita; e a que é mais elaborada e usamos na literatura. As duas pontas desta cadeia são obviamente a fala e a língua literária. Não é lícito confundi-las. O processo da língua oral é simples: uma vez lançada a mensagem, o signo é esquecido; mas o enunciado literário não morre por ter servido, "está feito expressamente para renascer das suas cinzas e tornar a ser indefinidamente o que acaba de ser", assim escreveu Paulo Valéry.A recuperação literária do galego padece de um erro fundamental: a transplantação pura e simples da fala corrente para o texto dos livros. Não é assim que se forja uma literatura.

Considerar o galego como parte integrante do sistema linguístico galego-português-brasileiro, com o nome internacional de português, aproximar radicalmente (em sentido próprio) o galego escrito da norma portuguesa-brasileira, enriquecer a nossa língua comum dos milhares de vocábulos e expressões galegas, eis o caminho a percorrer: o que falta.

Bruxelas, 17 de Dezembro de 2009

Joaquim Pinto da Silva (galego do sul, português do norte)

27 de outubro de 2008

Mudar o distrito para mudar a cidade, o Norte e o país

(correio electrónico enviado em 22 de Outubro de 2008, com texto anexo))


Caros amigos,
Muitos de vós não são militantes do PS, mas todos conhecem seguramente gente do PS no distrito do Porto (da Póvoa a Baião, de Gaia a Felgueiras), a quem esta opinião poderá talvez servir para alguma coisa.
Estou seguro que esta eleição na Federação Distrital do PS, caso o Presidente actual não a vença, será uma pedrada no charco em que se transformou a vida política da cidade e da região.
Nós não precisamos de estar em total acordo com alguém para lhe dar um apoio (ainda que pouco importante, sobretudo porque também não somos militante) político num certo momento. A política não é nem nunca será (à nossa medida) o reino das "purezas" e dos "ideais abstractos". Ela é feita, para o cidadão, de pequenas e momentâneas vitórias, só que, por vezes, esses pequenos passos, servem claramente a melhoria de uma situação e o avanço para uma sociedade mais justa.
O texto abaixo enviei-o hoje de manhã para a imprensa. Pelo que ali digo, percebe-se que Pedro Baptista é o candidato que o PS deveria eleger para presidir à Federação Distrital. Esse é o meu desejo.
Também podemos, é claro, ficar quietos, a chamar nomes aos políticos e gestores enquanto tomamos café. Pois, também podemos!
Um abraço.
QZ




Mudar o distrito para mudar a cidade, o Norte e o país
Aos militantes socialistas do distrito do Porto

Muitos habitantes da cidade do Porto e do seu distrito não sabem, mas no próximo fim de semana joga-se, dentro do Partido Socialista, um dado muito importante do futura da cidade, da região e mesmo do país.
As eleições para a federação distrital do PS (a maior do país), a votos neste sábado, mau grado a pouca publicidade feita pela actual Federação, têm congregado muitas pessoas, inúmeras vozes, para alertar todos, e não apenas os militantes do partido, para essa importância. Sim porque no sistema político português, eleições no interior dos partidos dizem, de facto, respeito a toda a gente, pois sabemos perfeitamente que os nossos candidatos futuros aos postos públicos virão forçosamente dos militantes vencedores dos sufrágios internos e dos seus apoios.
Não sendo militante do partido, mas tendo acompanhado de perto a campanha pela comunicação social e pela acção das listas concorrentes, tendo consciência da gravidade da situação do país, do norte em particular, e do distrito e cidade do Porto, não posso deixar de opinar sobre a mesma:
Ninguém me pede, mas também ninguém me impede.
A actual direcção distrital, cujo Presidente, Renato Sampaio, é um dos candidatos, ausentou-se marcadamente, no mandato que expira, das suas tarefas próprias, a vitalização do Partido no Distrito e a defesa dos interesses desta região, para optar por ter uma postura de antena governamental, acudindo sistematicamente em apoio da governação do país, como se essa fosse a sua tarefa exclusiva ("PS/Porto: líder da distrital congratula-se com resultado de sondagem que dá vantagem a Sócrates", é uma notícia, um exemplo de muitos, publicada pela RTP no seu sítio internet).
Estes últimos anos foram de uma incomparência política total no terreno (no que foi acompanhada pela quase totalidade dos deputados nacionais eleitos pela região), quer na sua primeira vocação, a crítica (sentido lato) à gestão das cidades do distrito, quer numa outra, não menos importante, a mobilização e formação dos militantes inscritos, para além da angariação de novos.
Recordo-me de encontros com governantes, mas não com autarcas, mesmo os da cor, de comícios de temática nacional, mas não de abordagens dos graves problemas do Porto e do Norte, de presenças constantes na capital e de ausência notada na região.
Paradigmático é, no entanto, o grave atropelo à democracia, à regra política mais sagrada, que o candidato Renato Sampaio cometeu e comete, ao recusar debater, mesmo em circuito interno do Partido, com o seu oponente, Pedro Baptista, a sua própria moção política com que se apresenta a votos. Denunciador claro de um conceito político, aliás, e infelizmente, em voga, esta negativa não apenas denuncia mas também prenuncia. Este abandono do debate e do confronto, indica um atraso intelectual, uma incompleta ou nula formação política, e prenuncia mais uns anos de vácuo de ideias e de ideais para a região, por parte de um dos principais partidos, onde há competências bastantes para tal não acontecer.
Na perspectiva de um cidadão, fora desta votação na prática, mas dentro da disputa, por todas as razões e interesses cívicos, chamo a atenção de todos os habitantes do distrito, e dos militantes socialistas em particular, para a importância do que se joga nestas eleições do próximo sábado.
Para bem de todos nós, é necessário que o PS Porto mude.
Joaquim Pinto da Silva

3 de outubro de 2008

PORTO 2001, CAPITAL DA CULTURA OU A «CULTURA DA CAPITAL»?

JUNHO’99 — Nº52

Contrariando um título de um artigo do nosso jornal nº40, da autoria do redactor Raul Simões, o responsável-mor da Sociedade Porto Capital da Cultura 2001, Santos Silva, recusa que aquele evento possa ser «a nossa Expo».
Estamos perfeitamente de acordo.
Aliás, Raul Simões e nós próprios, imediatamente a seguir à saída desse jornal, debatendo livremente aquele título, chegáramos à mesma conclusão: o modelo da Expo é um modelo do centralismo, foi uma megalomania que nos saiu e está a sair cara e destinou-se fundamentalmente a servir clientelas económicas (a dos construtores civis, das grandes empresas para-estatais) e a dar emprego a um, cada dia mais vasto, grupo social extremamente aguerrido e ambicioso que, em Lisboa, vagueia dentro e à volta do poder, sem olhar à cor do mesmo.
Poderíamos então pensar que a Capital da Cultura está no caminho certo? Na verdade ainda não sabemos completamente, mas apercebemo-nos que, sem questionar capacidades pessoais e intenções dos dirigentes seleccionados para dirigir esse grande acontecimento, alguns dos caminhos apontados ou ausentes nas linhas até agora publicitadas anunciam-nos irreversíveis erros dada a proximidade do calendário.
A massa de artistas, escritores, grupos de teatro, associações, publicações, e afins, que constituem riqueza empreendedora apreciável desta cidade não tem sido citada ou impulsionada a aderir em concreto ao projecto, fazendo-nos imaginar um massivo recurso à importação de acção cultural; a enervação social, que poderia beneficiar de um impulso excepcional e sustentado neste período, não mereceu alusão: os pobres não terão «capital»; o mesmo para a centralidade positiva do Porto na região, alargando geograficamente a «capital» ao conjunto do Norte; e ainda noutros domínios onde voltaremos amiúde e criticamente.
Hoje, ocupa-nos mais o facto de a zona ocidental da cidade, de Monchique até à Via Rápida, e da Circunvalação a Agramonte, não merecer nenhum investimento especial nos programas até agora anunciados. Assusta-nos sobretudo o esquecimento a que se votou a criação da zona histórica protegida da Foz Velha: do Passeio Alegre, Cantareira, Monte e Feira. Dir-se-ia que a «cidade» se contenta com a Ribeira/Barredo, Miragaia, Sé. É verdade que finalmente se anuncia a desobstrução da Capela de S. Miguel-o-Anjo, mas convém lembrar que o património nos interessa preservado para as ciências da História, alindado para o turismo interno e estrangeiro e, também e se possível, servidor e funcional para as populações. Assim, insistimos para que, em conjunto com as autarquias locais, as forças culturais e sociais locais, se discutam abertamente as carências das zonas citadas analisando as virtualidades e possibilidades de utilização de imóveis públicos para a criação dos equipamentos culturais tão necessários à sua vivência (Castelo do Queijo, Casa de Ramalde, Castelo da Foz, etc.). Se resumir interessa, e para além dos detalhes que serão sempre discutíveis, o importante é não apenas não imitar a Expo no que ela teve de sorvedouro financeiro e de conceito grandioso passadista, mas também na recusa da sua «cultura de capital», nos favoritismos de postos, no total fechamento decisório e no alheamento completo entre o «feito», a sua utilização futura e as populações*.

Não esquecer que aquilo a que se diz ser o auto-sustento do Parque das Nações, tal como ainda acontece no Centro Cultural de Belém, deve-se a diversos e quase secretistas acordos com Ministérios, outras entidades oficiais e empresas para-estatais. Em suma, o erário público não apenas pagou a construção do Parque como continua a manter o seu funcionamento.