Mostrar mensagens com a etiqueta Filosofia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Filosofia. Mostrar todas as mensagens
15 de julho de 2015
Oh heresia!
"Muitos acreditaram que a novidade residia na forma das ideias e não nas ideias mesmas, falta oriunda da miserável educação filosófica recebida" (Sampaio Bruno, A Geração Nova, pp. 23, 1a ed., 1886).
E se o genial e ignorado Bruno acerta, mais uma vez, e se o articulista (a quem estimo pelo que li) tem demonstrado a seriedade, política... e literal, que tem faltado ao PS, o artigo cai no enraizado erro que estrangula a sociedade portuguesa: o de pretender unir o que é repulsivo entre si, e ainda bem.
Como é possível unir aquela “massa” heteróclita sem que antes eles todos respondam a questões fundamentais de política pura, que os dividem inexoravelmente, por exemplo: quem defende a propriedade privada? Quem é na hierarquia administrativa funcional, mais importante, o cidadão ou o Estado? O Estado, e os seus funcionários (políticos e administrativos) devem ter preponderância sobre o cidadão (contribuinte também)? Qual a posição a ter perante governos como o de Chavez, de Bush, de Khadafi (para falar só dos defuntos políticos)? e por aí adiante…
Por isso, bendigo as desavenças eternas entre a nossa “esquerda”. É que há muita gente generosa, culta e socialmente útil nesses meios misturada com emblemados de lapela que se autoconvenceram de uma superioridade que não merecem.
E, ao contrário do articulista, creio que para se encontrar uma caminho de progresso, de transformação, de emancipação do trabalhadores (e dos outros), é necessário cortar de vez com esta metodologia de pôr a “forma das ideias” à frente destas.
Discutam-se as ideias. Filosofe-se, primeiro. Depois se verá!
(isto a propósito de:
http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4678986 )
10 de junho de 2010
Sobre a obra, O Filósofo Fantasma, de Pedro Baptista
(Com chancela Zéfiro e prefácio de Celeste Natário, a ser apresentado em 25 de Junho de 2010, às 18.30 h, no Palacete Viscondes de Balsemão, Porto)
Onde pára a obra A Ritmanálise, de Lúcio Pinheiro dos Santos?
Onde "parava" Lúcio Pinheiro dos Santos?
Nos sótãos poeirentos de muitas mansardas portuguesas ou forâneas, jazem em arcas encoiradas, em malotes de torna-viagem, ou em comerciais sacos, cartas, textos e obras insuspeitas de vida própria, em espera insensível de casualidades ou procuras capazes de lhes dar o interesse ou a nomeada merecida. Isto sem falar de tudo o que também jaz nesses cemitérios protegidos e apaziguadores de consciências burocráticas que são as bibliotecas e os arquivos.
A Ritmanálise, de Lúcio Pinheiro dos Santos, é uma dessas obras à qual um filósofo francês, Gaston Bachelard, dedica uma importância reverente, no seu trabalho A Dialéctica da Duração (todo o último capítulo), publicado em 1936, e que até hoje nunca se encontrou.
Felizmente que Bachelard faz longas citações reverentes desse trabalho, permitindo-nos assim alcançar a sua importância, atestada aliás pelas intermináveis repercussões internacionais comprovadas pelas citações fácil e imediatamente verificáveis no mundo web.
Pedro Baptista refere alongadamente este mistério, mas debruça-se também sobre um outro, inseparável, a espessa bruma envolvendo o próprio autor do texto, Lúcio Pinheiro dos Santos.
Dele se publicara o testemunho sobre o seu irmão de carácter e de visão, Leonardo Coimbra, e pouco mais. Ora, conhecendo os meios da filosofia portuguesa, totalitariamente "quase" universitária, a ênfase dada à Ritmanálise na obra de Bachelard, a importância deste na filosofia contemporânea, e as suas largas repercussões internacionais, e sabendo que algumas tentativas de encontrar o texto A Ritmanálise foram feitas aqui e ali, é, mesmo assim, muito estranho que mais de 50 após a sua morte, o autor não tenha sido objecto de procura, de "explicação" biográfica que é de onde saem muitas vezes as "descobertas" importantes.
Pedro Baptista fê-lo. Em texto de filosofia, por certo, mas de filosofia sábia (redundância necessária), aquela que não se imagina sem uma acção consentânea, aquela que não é diletantismo abstracto e que, como tal, não se esgota em si mesma, que sobrevive e é valida se interagir com os outros saberes, numa procura e exercício de vida.
Encontrou então o autor, ao que parece, um Fantasma que não o é, um Filósofo que o é.
Lúcio Pinheiro dos Santos "uniu o inseparável", uma filosofia, a descobrir no livro, a uma acção cívica forte e assumida, como opositor à tirania reinante em Portugal em favor das forças aliadas contra o fúnebre nazi-fascismo do Eixo.
Se, depois desta obra, continuamos sem saber onde pára o tratado A Ritmanálise (para nossa vergonha ainda não se fez o que se devia neste campo), ficámos no entanto a saber que não existe afinal nenhum Fantasma, que Pinheiro dos Santos teve vida e viveu-a, e sobretudo que o mérito indiscutível da sua obra filosófica, apesar de sustentada em citações de outrem, não é de todo, nem separável nem por arriba do seu empenhamento político e cívico exemplar.
Mais, em contexto de mudança política e social em Portugal, esta obra traz, à filosofia portuguesa e à sociedade, um "novo ritmo", menos bolorento e mais entusiasmante, de que tanto precisamos.
Joaquim Pinto da Silva
Onde pára a obra A Ritmanálise, de Lúcio Pinheiro dos Santos?
Onde "parava" Lúcio Pinheiro dos Santos?
Nos sótãos poeirentos de muitas mansardas portuguesas ou forâneas, jazem em arcas encoiradas, em malotes de torna-viagem, ou em comerciais sacos, cartas, textos e obras insuspeitas de vida própria, em espera insensível de casualidades ou procuras capazes de lhes dar o interesse ou a nomeada merecida. Isto sem falar de tudo o que também jaz nesses cemitérios protegidos e apaziguadores de consciências burocráticas que são as bibliotecas e os arquivos.
A Ritmanálise, de Lúcio Pinheiro dos Santos, é uma dessas obras à qual um filósofo francês, Gaston Bachelard, dedica uma importância reverente, no seu trabalho A Dialéctica da Duração (todo o último capítulo), publicado em 1936, e que até hoje nunca se encontrou.
Felizmente que Bachelard faz longas citações reverentes desse trabalho, permitindo-nos assim alcançar a sua importância, atestada aliás pelas intermináveis repercussões internacionais comprovadas pelas citações fácil e imediatamente verificáveis no mundo web.
Pedro Baptista refere alongadamente este mistério, mas debruça-se também sobre um outro, inseparável, a espessa bruma envolvendo o próprio autor do texto, Lúcio Pinheiro dos Santos.
Dele se publicara o testemunho sobre o seu irmão de carácter e de visão, Leonardo Coimbra, e pouco mais. Ora, conhecendo os meios da filosofia portuguesa, totalitariamente "quase" universitária, a ênfase dada à Ritmanálise na obra de Bachelard, a importância deste na filosofia contemporânea, e as suas largas repercussões internacionais, e sabendo que algumas tentativas de encontrar o texto A Ritmanálise foram feitas aqui e ali, é, mesmo assim, muito estranho que mais de 50 após a sua morte, o autor não tenha sido objecto de procura, de "explicação" biográfica que é de onde saem muitas vezes as "descobertas" importantes.
Pedro Baptista fê-lo. Em texto de filosofia, por certo, mas de filosofia sábia (redundância necessária), aquela que não se imagina sem uma acção consentânea, aquela que não é diletantismo abstracto e que, como tal, não se esgota em si mesma, que sobrevive e é valida se interagir com os outros saberes, numa procura e exercício de vida.
Encontrou então o autor, ao que parece, um Fantasma que não o é, um Filósofo que o é.
Lúcio Pinheiro dos Santos "uniu o inseparável", uma filosofia, a descobrir no livro, a uma acção cívica forte e assumida, como opositor à tirania reinante em Portugal em favor das forças aliadas contra o fúnebre nazi-fascismo do Eixo.
Se, depois desta obra, continuamos sem saber onde pára o tratado A Ritmanálise (para nossa vergonha ainda não se fez o que se devia neste campo), ficámos no entanto a saber que não existe afinal nenhum Fantasma, que Pinheiro dos Santos teve vida e viveu-a, e sobretudo que o mérito indiscutível da sua obra filosófica, apesar de sustentada em citações de outrem, não é de todo, nem separável nem por arriba do seu empenhamento político e cívico exemplar.
Mais, em contexto de mudança política e social em Portugal, esta obra traz, à filosofia portuguesa e à sociedade, um "novo ritmo", menos bolorento e mais entusiasmante, de que tanto precisamos.
Joaquim Pinto da Silva
Subscrever:
Mensagens (Atom)