Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

28 de julho de 2013

Solar Bragançano, um Portugal que resiste

Cultura
O que vou dizer parece publicidade pura mas não é. É um (tentar de) acto singelo cultural, necessário e premente. Há alguns anos que frequento o Solar Bragançano, dito” restaurante”, em Bragança, mesmo junto à Sé, e, de cada vez que o visito mais me convenço que os talentos (em cultura), aqueles que sendo do mundo de hoje se projectam em futuro, só o são realmente quando sabem de onde partem. O Solar Bragançano vale tanto como o Centro Cultural de Belém ou o Museu de Serralves. Afirmo-o!
Menos visitados que aqueles, estou certo que fidelizaram tanto ao nosso sentir, estrangeiros e outros portugueses de partes distintas, como aqueles. Entrar no Solar Bragançano, olhar, ouvir, apreciar a casa e a decoração e comer são um aprisionamento interior completo.
Nunca me senti e sinto tão bem em nenhum restaurante. Porque se come muito bem, é claro! Mas, sobretudo, porque nos apercebemos que os curadores deste “museu”, a Ana Maria e o Desidério, nos ensinam que, para além dos pratos (equivalentes aos quadros e as esculturas dos museus), a atmosfera, a disposição, a música, os livros a rodos, a decoração, a disponibilidade e a sua humildade (como grandes), fazem da casa um inolvidável passeio pelo que de melhor temos.
A amizade tolda-me? Não, a amizade, no seu lado pessoalista mesquinho, retraiu-me até hoje. Agora quero recuperar o perdido e dizer-vos: não percam! A cada visita, sai-se renascido. Portugal ainda vive, sem subsídios e com dedicação e arte.
No Portugal que precisamos, o Solar Bragançano está lá!
(vejam: http://videos.sapo.pt/Me23yzPQbE11tmAzn7IF)

(texto publicado no Facebook e que mereceu um "Gosto" de Herculano Ferreira, do Restaurante Pedra Furada, Barcelos, que comentei de seguida)

O facto de o António Herculano Ferreira ter aposto o gosto neste post é prova de que temos gente. O Herculano tem, com as irmãs, um outro restaurante (e não retiro uma vírgula ao que disse sobre o Solar Bragançano), o Pedra Furada, em Barcelos, onde a cozinha é tratada como papirus e servida como mel.
Ali participei numa das maiores sessões culturais da minha vida, a apresentação do poema “Pedro Soriano” de Guerra Junqueiro (edição da Orfeu). Com a sala cheia, ao som de violinos e guitarras, com vedetas desconhecidas e anónimos da televisão, percorreram-se séculos de poesia, erótica e até obscena, portuguesa. Memorável.

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