Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.
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27 de novembro de 2014

Rui Picarote Amaro


in memoriam
Como devias detestar ficar preso em casa, enquanto as ondas vinham e iam e o teu Douro descarregava água e mais água naquela barra que conhecias como poucos. Uma vida a navegar, sobretudo em terra, a perscrutar horizontes na cata de veleiros, na restinga a ler os sinais das marés, no farolim a argumentar com outros marítimos, na Cantareira a ver os últimos caícos e os últimos sáveis. Sempre, mas sempre te verei assim: indagador, curioso, homem de saber e de ensinar.
Acabou. Perdemos-te e perdemos um pouco mais do nosso “norte”, aquele que nos levava a uma Foz do Douro profundamente fluvial e marítima e que vai desaparecendo inelutavelmente.
Deixas-nos herança: ”A Barra da Morte”, livro admirável sobre as tragédias da embocadura do Douro e ainda os inúmeros textos dos blogues que animavas.
Quanto saber, quanta paixão e quanta humanidade!
A Rua da Cerca, toda a Foz chora porque se foi um seu amante generoso, um Bom.
Assim estou eu.
Um abraço para sempre, Rui.
QZ
(os teus blogues:
http://naviosavista.blogspot.be/
http://opilotopraticododouroeleixoes.blogspot.be)

1 de outubro de 2008

Para a Barra da Morte

(Nota de badana do livro A Barra da Morte, de Rui Picarote Amaro)

Perante o naufrágio do vapor Deister a que assistiu quando miúdo, Ruben A. escreveu mais tarde: a tragédia não tem lágrimas, é a visão didáctica do destino.
Para nós, os da Foz, daquela parte marítima que se está a finar, as tragédias da barra e da costa próxima, foram alimento humano de importância única, escola viva de humildade e contenção perante a vida e a morte.
O que Rui Picarote Amaro nos traz neste livro é, acima de tudo, a memória de uma época que se perderia em grande parte, caso não fosse registada em livro. Há muito ainda para dizer? Pois há, o Silver Valley da nossa infância, por exemplo!
Mas a condensação de uma atmosfera, de um estar marinho e fluvial desta Foz em extinção, está aqui feita para sempre em crónica (em poesia, já o estava com o nosso Raul Brandão).

Trata ainda o autor dos molhes da barra, em construção. É sabido que várias opiniões existem sobre a sua real utilidade, mas O Progresso da Foz, cujas páginas do jornal acolheram posições firmes de antagonismo (minhas também, afinal também ainda dessa Foz umbilical com rio e mar e com familiares citados nesta obra) e de apoio (como as do autor do presente), trabalha para a terra, para a sua História e a sua cultura e, desde sempre, soubemos que é no confronto leal e franco das ideias que todos podemos ganhar. De qualquer forma, os molhes são imparáveis e há agora que conviver com eles e aproveitá-los nas suas potencialidades.

Por último reiteramos que não somos diletantes da historiazinha, nem tampouco simples animadores estivais, queremos antes ser cidadãos com opinião e acção. Basta que analisem as páginas dos nossos jornais e as nossas edições e actividades, para saberem que procuramos cumprir a nossa parte.

JPdS