Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

5 de maio de 2013

Carlos de Oliveira e Sousa



In memoriam

Está presente e pouco se fala dela. Omitimo-la por medo, pelo hedonismo triunfante, essa barreira asfixiante e alienante que nos afasta do autêntico. A morte, essa igualitária única e sincera, escapa-se-nos no quotidiano, mas é presença nos momentos-chave.
Perante ela, a nossa condição individual, mortal, portanto, vem ao de cima. Vamos a um funeral, e célere, ocorre-se-nos a nossa; inevitável, certa. Meditamos sobre alguém que se foi, e aí estamos nós também implícitos, porque não se deseja a sobrevivência de alguém, ou a miraculosa ressurreição, sem que estejamos nós presentes, para a gozar plenamente.
Não é egoísmo, menos ainda hipocrisia; é assim! É a nossa condição individual, são as nossas entranhas psicológicas a impor à conjuntura a nossa verdade existencial.
Porque digo isto?
Porque as emoções sinceras não se satisfazem com a renúncia à frontalidade, ao escavar permanente das razões e das não-razões da do ser, da essência nossa. Antes pelo contrário, são as interrogações límpidas que elevam o sentido e invocam a presença dos que foram.
O Carlos saberia, saberá(?), que estas reflexões são o meu tributo possível.
O fugaz, mas impressivo, encontro de 2005, aquando da publicação de Iceberg, permitiu-me conhecer o artista talentoso e o homem sociável e agradável que ele era.
Nesta casa de artes e letras, todos os Carlos, e o Carlos de Oliveira e Sousa particularmente, têm sempre, de direito e de coração, o seu lugar marcado.

Bruxelas, 4 de Maio de 2013
Joaquim Pinto da Silva

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