Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

27 de julho de 2012

25 de Julho, Dia da Pátria Galega, minha também

A pergunta de oiro (aquela que encerra a resposta)

- Que língua falas, ó Afonso Henriques?
A assistência (de várias origens e tempos) emudeceu. Que pergunta tão estranha e a despropósito.
Então o homem é de pai francês, que quase nem conheceu porque morreu quando ele tinha 2 anos. Francês, não deve ser portanto. A mãe, Teresa (Tareija), vinha do além-Minho; essa falava com certeza galego.
O tutor (aio), fosse ele o Egas Moniz ou o outro, como diz o Mattoso, provinham da zona de Lamego (a sul do Minho), aonde tinham senhorios, e ali, à época, escrevia-se em latim, é certo, tudo o que era oficial. Mas que língua falariam eles?
Alguém, semiletrado, que estudou em Portugal nos manuais da ditadura até 74 ou nos seguintes, até hoje, timidamente, diz:
- Português?
Um, da actual Vila da Feira, mas que viveu no século XIII, sem pejo, questiona:
- Português? Que é isso?
E continua:
- Eu sei que falo o mesmo romance que os da Costa da Morte, de Braga, do Ferrol, de Ponferrada, de Amarante e de toda esta região. Disto estou seguro, porque andei por ali em feiras e assim acontecia.
Um arrepio percorre a parte da audiência mais de sul do Minho e do séc. XXI.
- Nunca pensei nisso!, diz um comerciante.
- Pois, devíamos falar igual, porque se até a poesia se escrevia da mesma forma!, disse um académico.

Foi preciso Afonso, o Rei, que achou estranha e anormal a pergunta, dizer:
- A minha fala é a da minha Mãe e meus avós e da minha corte, onde fossam os da Maia, os Travas, os Monfortes, os Sousas, que raio!
Num canto, envergonhados pela insciência geral, Rodrigues Lapa, Afonso Castelao, Carolina Michäelis e outros eruditos do XIX e do XX, dizem em coro:
- Arre, que demoram a perceber!

Com a minha falta de jeito e saber, mas com a dedicação antiga, profunda e arreigada à causa da galeguidade, que é a minha e devia ser a de todos os que falam esse galego moderno e culto, que é o português, e com uma aperta irmã aos de cima-do-Minho, com quem fazemos Nação.
No dia da Pátria Galega, ou seja, tão meu quanto o 10 de Junho, 25 de Julho de 2012.

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