Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

2 de outubro de 2008

Visita à XVII EXPO DO CONSELHO DA EUROPA

«Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento»
Visita da EDP Porto
Setembro 1983

Compreender é complicar. É enriquecer em profundidade. É alargar por todos os lados. É vivificar.
Lucien Febvre

1. Ao pretender abordar uma época passada, e independentemente do método e ponto de vista do interessado ou estudioso, deve ter-se sempre em atenção que esse momento foi um conjunto de acontecimentos, de situações, sempre complexas e interpenetradas, que coexistiram — transformando ou alicerçando — com uma dada mentalidade.
Mais que julgar, em História, o fundamental é compreender. E se isto não percebermos outra coisa não faremos se não a figura imbecil dos que julgam que o mundo perecerá com a sua própria morte.

2. Cada vez menos o rigor se identifica com as sínteses. A era dos «absolutos», do «explicável até ao infinito», passou. «Compreender é com complicar», ou seja, alargar a informação sobre uma época ou um acontecimento, relacionando-a, claro, mas não fechando nunca a porta a novos caminhos, a novas perspectivas, antes pelo contrário, fazendo dessa procura um método e, concomitantemente, um objectivo, isto é, «instabilizar» o conhecimento, abalando-o de forma permanente e perene, aceitando «muito mais facilmente fazer da certeza e do universalismo uma questão de grau» (1) que um estado imutável e inexpugnável.

3. A compreensão da nossa época passa obrigatoriamente pelo estudo do passado. O presente não é mais que o resultado do que está para trás, aliás, ... o que é o presente? Disse um poeta: «o tempo cai sobre mim feito ontem...» (2), ou seja, o que dissemos atrás, já passou. Tudo foi, nada é. Sendo assim, como não olharmos e reflectirmos sobre o passado?
O presente explica-se pelo que temos sido. «Todo aquele que se ativer ao presente, ao actual, não compreenderá o actual» (3).

4. Ao levar os associados ao «encontro» da XVII Exposição do Conselho da Europa, o Clube do Pessoal da EDP Porto pretende:
Apoiar uma abordagem dos problemas de uma forma livre e tolerante, ajudando a criar uma mentalidade analítica, logo, científica.
Criar uma ideia da mutabilidade das interpretações históricas e da relatividade dessas mesmas interpretações.
Auxiliar a compreensão do país actual pela abordagem da sua História.

Todas estas pretensões (pretensionismos) alicerçadas no saudável princípio de que a «cultura é a crítica». (4)

Notas:
1. Marc Bloch
2. Mário de Sá Carneiro
3. Michelet
4. António Sérgio

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