Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

1 de outubro de 2008

Para a Barra da Morte

(Nota de badana do livro A Barra da Morte, de Rui Picarote Amaro)

Perante o naufrágio do vapor Deister a que assistiu quando miúdo, Ruben A. escreveu mais tarde: a tragédia não tem lágrimas, é a visão didáctica do destino.
Para nós, os da Foz, daquela parte marítima que se está a finar, as tragédias da barra e da costa próxima, foram alimento humano de importância única, escola viva de humildade e contenção perante a vida e a morte.
O que Rui Picarote Amaro nos traz neste livro é, acima de tudo, a memória de uma época que se perderia em grande parte, caso não fosse registada em livro. Há muito ainda para dizer? Pois há, o Silver Valley da nossa infância, por exemplo!
Mas a condensação de uma atmosfera, de um estar marinho e fluvial desta Foz em extinção, está aqui feita para sempre em crónica (em poesia, já o estava com o nosso Raul Brandão).

Trata ainda o autor dos molhes da barra, em construção. É sabido que várias opiniões existem sobre a sua real utilidade, mas O Progresso da Foz, cujas páginas do jornal acolheram posições firmes de antagonismo (minhas também, afinal também ainda dessa Foz umbilical com rio e mar e com familiares citados nesta obra) e de apoio (como as do autor do presente), trabalha para a terra, para a sua História e a sua cultura e, desde sempre, soubemos que é no confronto leal e franco das ideias que todos podemos ganhar. De qualquer forma, os molhes são imparáveis e há agora que conviver com eles e aproveitá-los nas suas potencialidades.

Por último reiteramos que não somos diletantes da historiazinha, nem tampouco simples animadores estivais, queremos antes ser cidadãos com opinião e acção. Basta que analisem as páginas dos nossos jornais e as nossas edições e actividades, para saberem que procuramos cumprir a nossa parte.

JPdS

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