Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

3 de outubro de 2008

Olhos nos Olhos

O Património … d’O Progresso

Desde a sua segunda série, publicada nos idos 78, até 1981 (tomem bem nota : 1978), que O Progresso da Foz fez publicamente da defesa do seu património natural e construído a sua grande batalha. Alertamos para a degradação do Castelo da Foz, propondo a sua passagem a centro cultural, divulgámos a classificação de património concelhio a toda a frente urbana do Passeio Alegre, participamos activamente nos Encontros Nacionais de Associações de Defesa do Património, pusémos as crianças a desenhar os nossos monumentos no 10 de Junho, e tantas outras acções e notícias que abdicamos de citar.

Depois, numa fase intermédia, ainda sem a saída da terceira série, portanto entre 1984 e 1994, mas continuando para além dessa data, iniciámos a maior e mais criativa campanha de edições da e sobre a Foz. Somaram quase duas dezenas de títulos em que a Foz e o seu património integral foram tema e campanha.

Passámos de seguida à terceira série do jornal – a actual –, onde clara e explicitamente é ainda o património, e os desmandos de que sofre, que são a nossa grande batalha . Da Quinta de Sousa Guedes às Torres Altis, passando pelo Parque da Cidade, Quinta do Montebelo, Casa na Rua do Farol, Igreja da Lapa, Pinhais da Foz, Bairro Rainha D. Leonor, Ervilha, Coronel Raul Peres, etc.

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Olhos Nos Olhos

Aproveita o Senhor Presidente da Junta da Foz - e bem ! – as páginas deste jornal para publicar uma sua intervenção numa reunião restrita, em que lista uma série de atropelos ao património cometidos e em execução na Foz, acentuando que esse tem sido um seu combate constante e de longa data.

Contestamos o Senhor Presidente, e no fundo a Junta que dirige, não nas suas intenções, em que ainda acreditamos, mas na sua prática, pois esta, no que respeita à preservação do património da Foz é incongruente, limitada e cheia de declarações públicas de intenções, mas ausente de estratégia e de acções.

Acreditamos que uma verdadeira e politicamente comprometida campanha de defesa da Foz e do seu ambiente e arquitectura urbana e social, terá que ter meios financeiros e humanos e um empenhamento prático e activo da instituição. Não basta dizer que é um objectivo importante, e depois investir os parcos meios de que dispõe, actividades que reputo, sem nenhum medo das palavras e das consequências, de eleitorais e despesistas, tais como os grandes passeios e almoçaradas ditos para a « terceira idade », por exemplo. Consideramos absolutamente imoral e socialmente de resultados duvidosos o exagerado empenho manifesto naquelas actividades. Os recursos da Junta por serem limitados deveriam ter melhor destino, e para isso seria necessário ter outra política ; sim pois disso se trata e não de outra coisa.

Como exemplo, tivémos a oportunidade, ainda no ano passado e em plena campanha contra as Torres Altis, de dizer pessoalmente e por outras vias ao Executivo que aquele era o momento de uma grande campanha de propaganda que forçasse a uma ainda maior discussão pública e, consequentemente, que pressionasse os centros de decisão naquele caso vertente.
Cremos que a elaboração de uma carta patrimonial e, por oposição, uma outra dos atentados urbanísticos feitos ou em vias de concretizarem-se, difundida institucional e publicamente, seria um acto concreto de defesa e não apenas retórica de intervenções oportunas.
Colocar também em discussão, com a Comunicação Social presente, a Câmara, os promotores dos diversos empreendimentos contestados e as associações de cidadãos, poderia ser também uma forma de aumentar a consciência de todos face àqueles atentados.
E ainda, assumir, como já diversos cidadãos o fizeram, por exemplo, o arquitecto Pulido Valente (por diversas vezes) e nós próprios, a via judicial para enfrentar esses atentados, jogando forte e empenhadamente… isto é, acreditando no que se diz e se defende.

Estranhamos, por fim, que O Progresso, onde o Senhor Presidente publica regularmente as suas intervenções (desde que nos cheguem), não tenha sido convidado para aquela secreta reunião de secretos resultados.
Mas não foi, e a política é de factos. E estes mostram-nos que existe uma deriva não democrática, logo, cega e desprezante em relação às vozes críticas dos cidadãos, por parte da autarquia, que é preocupante, dando nós como exemplo, um intitulado « Guia da Foz do Douro », onde para além da gritante falta de qualidade da brochura*, o Senhor Presidente abusa da sua posição de « dono da obra » para nos criticar de forma insidiosa, afinal tão longe dos « olhos nos olhos » que apregoa e, sobretudo, completamente a despropósito dos objectivos da mesma.
É isso : o Senhor Presidente pode escrever o que e quando quiser nas edições da Junta e… nas páginas d’O Progresso – isso lho garantimos , mesmo não acordando! ; nós, simplesmente, escrevinhamos nestas páginas deste modesto jornal, que para isso existe e por isso deveria ser defendido.

Estamos conscientes que debater em Assembleia de Freguesia os problemas da terra, com secções partidárias que só ali existem e que ninguém conhece, ainda por cima com uma oposição intelectualmente fraca, é muito mais fácil do que ouvir da parte de cidadãos opiniões « construtivas e de olhos nos olhos » como nós o fazemos.

Joaquim Pinto da Silva

* Encomendando a « estranhos » a feitura do Guia, quando O Progresso, com a mesma cobertura do Executivo, o poderia ter feito, leva-nos a pensar que qualquer dia o Festival de Folclore da Foz poderá ser organizado pelos « Amigos de Vila Franca de Xira ». A questão é que o Senhor Presidente passe a deixar de gostar da Academia de Danças e Cantares do Norte de Portugal (Foz do Douro).
Aconselhamos aos nossos leitores que peçam à Junta a infeliz brochura.

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