Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

2 de outubro de 2008

JARDINS DO PODER

(Setembro, 2001)

JARDINS DO PODER
Os de Montevideu como exemplo

Fomos confrontados nos últimos tempos com notícias bastas sobre a questão dos jardins da Avenida Montevideu, na Foz, freguesia de Nevogilde.
Lemos e relemos as que nos chegaram às mãos, mais os comunicados das entidades relacionadas: Câmara, Junta de Nevogilde, Porto 2001, candidatos às eleições para a Câmara e outros.
Abuso de poder, embargo de obras, vilipêndio de órgãos autárquicos, de tudo ouvi-mos e o resultado é que tudo continua como dantes. Os poderes — todos — discutiram, criticaram-se, mediram e impuseram as suas forças, mas, o essencial, explicar claramente quais as opções em divergência, quais as pretensas fugas aos planos iniciais e mesmo quais os planos iniciais, disso pouco ou nada se disse.
A comunicação social dominante, mais «politiqueira» ainda que as forças políticas, interessou-se pelo que lhe servia de manche-te vendável (embargo, confronto) e não se preocupou pela informação detalhada e conscienciosa das populações: ficou-se pelo «espectáculo», sempre triste, das guerras de poder. Não temos grandes hesitações em colocarmo-nos mais ao lado da Junta de Nevogilde neste processo. Conhecemos o «novo-riquismo» político e intelectual da Porto 2001 e o que tem produzido — à custa de milhões — não nos impressiona sobremaneira e a autarquia de Nevogilde tem defendido suficientemente a marginal de investidas interesseiras e destruidoras.
Gostaríamos era de ter podido difundir, em detalhe e a tempo, o projecto e as «variantes» que interesses outros lhe colam. Virão dizer inocentemente alguns ou outros falsamente que: «se não sabem é porque não procuram». Não é verdade! Há poderes instalados que se acercam da comunicação social que lhes e quando interessa, mas que, tratando-se de «coisa local» que «não lhes dá imagem», ficam-se pela exigência e a sobranceria.
Aqui está a grande, a principal, divergência que temos com alguns autarcas: o dever de participar na vida pública é de todo cidadão — e O PROGRESSO é a nossa comparticipação — mas aquele que se candidata e aceita um cargo político tem de ter como principal divisa, servir; dentro das suas ideias, dos seus projectos, mas servir.

SET./OUT’01 —Nº79/80

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