Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

2 de outubro de 2008

Fernando Pessoa - um monumomento -

(texto publicado na brochura Square Pessoa, editado aquando da inauguração daquela praça, em 11 de Julho de 2008, onde já existia o monumento ao poeta, desde 1989)















Como ponto culminante de uma vasta homenagem ao poeta, concluindo em 1989 o centenário do seu nascimento (1888/1988), foi inaugurado, a 10 de Junho, num recanto da Place Flagey, em Ixelles, Bruxelas, uma sua efígie.
A Homenagem em Bruxelas e a implantação do monumento foram concebidos pela associação Atlântida, nascida poucos anos antes nesta cidade, e comportou conferências sobre a obra pessoana proferidas por Jacques de Decker, jornalista do Le Soir, August Willensen, tradutor para neerlandês de Pessoa, e José Augusto Seabra, Embaixador e escritor, especialista reconhecido na obra do poeta, e ainda um concerto com a obra A Música como Heterónimo, de Cândido Lima, tocada ao piano pelo compositor, ao violino, por António Cunha e Silva e com voz de Margarida Magalhães.
O bronze em si foi oferecido a Ixelles, pela Fundação Eng.º António de Almeida, do Porto, que foi representada na cerimónia por outro especialista pessoano, António Quadros, que proferiu a intervenção de fundo na sessão solene realizada na Câmara de Ixelles (Sala Malibran).
A Embaixada de Portugal esteve associada, desde o início, a esta homenagem e inauguração.
A Câmara de Ixelles, abraçou também este evento com convicção e desejou que víssemos "neste acto não só a homenagem da nossa população a um dos maiores escritores deste século, mas também o testemunho de uma profunda simpatia" pela comunidade portuguesa na Bélgica.

A crer nos preceitos pessoanos que exigem a um artista que medite a sua obra antes de a fazer, que “coordene pela vontade intelectual... os elementos fornecidos pela emoção”, que, tal qual um poema, qualquer obra seja “carne de emoção cobrindo um esqueleto de raciocínio”, esta escultura cumpre estes preceitos na íntegra.
Com um desenho moderno e arrojado, em que uma cabeleira densa se alonga, como ondas de um mar nosso conhecido, e respeitando essenciais traços identificativos do rosto e da imagem do poeta, como o pequeno bigode, o nariz aquilino, os óculos redondos, Irene Vilar, a escultora, soube construir uma representação condigna para o nosso mais famoso escritor do século XX.
Aliás devem-se a Irene Vilar outros dois monumentos a Fernando Pessoa, estrategicamente erigidos nas cidade de Durban, África do Sul, onde o poeta viveu parte da sua infância, e em S. Paulo, no Brasil, o país com mais falantes da língua portuguesa, "a sua pátria". Curioso e significante este triângulo de representações do poeta, configurando geograficamente o passado, o presente e o futuro de Portugal e da língua portuguesa, num mítico e, simultaneamente, bem real Cabo da Boa Esperança, num território que abraçou por milhões a nossa língua e numa cidade que representa para nós a entrada num mundo desenvolvido e moderno.

A cabeça de Pessoa instalada nessa Ixelles de tradições tão artísticas e literárias, renovada agora nesta praça destinada a uma nova centralidade cultural na capital da Europa, representa também para nós um Portugal equilibrado entre a tradição e a modernidade, entre a consistência necessária a uma cultura e a simbologia indispensável a um povo.
Com a nova Square Pessoa, "a hora chegou" de novo, numa importância equilibrada entre o estar e o passar, entre um monumento e os seus momentos: um monumomento.

Como ponto culminante de uma vasta homenagem ao poeta, concluindo em 1989 o centenário do seu nascimento (1888/1988), foi inaugurado, a 10 de Junho, num recanto da Place Flagey, em Ixelles, Bruxelas, uma sua efígie.
A Homenagem em Bruxelas e a implantação do monumento foram concebidos pela associação Atlântida, nascida poucos anos antes nesta cidade, e comportou conferências sobre a obra pessoana proferidas por Jacques de Decker, jornalista do Le Soir, August Willensen, tradutor para neerlandês de Pessoa, e José Augusto Seabra, Embaixador e escritor, especialista reconhecido na obra do poeta, e ainda um concerto com a obra A Música como Heterónimo, de Cândido Lima, tocada ao piano pelo compositor, ao violino, por António Cunha e Silva e com voz de Margarida Magalhães.
O bronze em si foi oferecido a Ixelles, pela Fundação Eng.º António de Almeida, do Porto, que foi representada na cerimónia por outro especialista pessoano, António Quadros, que proferiu a intervenção de fundo na sessão solene realizada na Câmara de Ixelles (Sala Malibran).
A Embaixada de Portugal esteve associada, desde o início, a esta homenagem e inauguração.
A Câmara de Ixelles, abraçou também este evento com convicção e desejou que víssemos "neste acto não só a homenagem da nossa população a um dos maiores escritores deste século, mas também o testemunho de uma profunda simpatia" pela comunidade portuguesa na Bélgica.

A crer nos preceitos pessoanos que exigem a um artista que medite a sua obra antes de a fazer, que “coordene pela vontade intelectual... os elementos fornecidos pela emoção”, que, tal qual um poema, qualquer obra seja “carne de emoção cobrindo um esqueleto de raciocínio”, esta escultura cumpre estes preceitos na íntegra.
Com um desenho moderno e arrojado, em que uma cabeleira densa se alonga, como ondas de um mar nosso conhecido, e respeitando essenciais traços identificativos do rosto e da imagem do poeta, como o pequeno bigode, o nariz aquilino, os óculos redondos, Irene Vilar, a escultora, soube construir uma representação condigna para o nosso mais famoso escritor do século XX.
Aliás devem-se a Irene Vilar outros dois monumentos a Fernando Pessoa, estrategicamente erigidos nas cidade de Durban, África do Sul, onde o poeta viveu parte da sua infância, e em S. Paulo, no Brasil, o país com mais falantes da língua portuguesa, "a sua pátria". Curioso e significante este triângulo de representações do poeta, configurando geograficamente o passado, o presente e o futuro de Portugal e da língua portuguesa, num mítico e, simultaneamente, bem real Cabo da Boa Esperança, num território que abraçou por milhões a nossa língua e numa cidade que representa para nós a entrada num mundo desenvolvido e moderno.

A cabeça de Pessoa instalada nessa Ixelles de tradições tão artísticas e literárias, renovada agora nesta praça destinada a uma nova centralidade cultural na capital da Europa, representa também para nós um Portugal equilibrado entre a tradição e a modernidade, entre a consistência necessária a uma cultura e a simbologia indispensável a um povo.
Com a nova Square Pessoa, "a hora chegou" de novo, numa importância equilibrada entre o estar e o passar, entre um monumento e os seus momentos: um monumomento.

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