Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

2 de outubro de 2008

Ainda a Expo 98

113,6 milhões de contos de prejuízo

MEGA…(lómano) FERREIRA diz que não é nada

Inacreditável é o menos que podemos dizer: Mega Ferreira*, responsável-mor pela Parque Expo e membro das suas anteriores administrações, não só não comenta as gestões anteriores como também mantém a «apreciação positiva da operação Expo’98».
Pois nós não!
E se consideramos que a obra feita tem méritos indiscutíveis, que a operação de relações públicas internacional nos serviu e ainda que internamente um reganhar de confiança própria por parte do cidadão foi importante, apesar disso tudo, nós concluímos ao contrário, isto é, com aqueles meios financeiros poder-se-ia ter feito mais e melhor, ampliando as vantagens aqui descritas e alcançando outros objectivos, esses sim, nacionais, isto é, que serviriam o país na sua globalidade.
Pensamos por exemplo, na finalização de algumas vias de comunicação fundamentais, como a auto-estrada para a Galiza, que poderia ter sido concluída há mais tempo, a auto-estrada para o Algarve, o melhoramento de alguns IP, nomeadamente o da «estrada da morte», as novas pontes sobre o Minho, o Douro e o Tejo, a efectivação da rede nacional de museus e de bibliotecas, a salvaguarda de muito património natural e arquitectónico, a inventariação e preservação dos arquivos municipais, as redes de saneamento básico das grandes cidades, a melhoria dos transportes intra-insulares nos Açores, o aumento da rede de leitorados em universidades estrangeiras, a criação de milhares de cursos de língua portuguesa para luso-descendentes e lusófilos, o apoio à melhoria e ou reconversão das pequenas empresas familiares da agricultura e pescas, a despoluição de pequenos rios essenciais em ecossistemas regionais, o fim das barracas na cidade de Lisboa, etc. etc.
Em suma, esta é a diferença entre um projecto realmente nacional, isto é, que serve aspectos essenciais do desenvolvimento económico e cultural de um país, e que chega a um largo número de cidadãos, e o crescimento e o aperaltar de uma cidade que já é demasiado grande para a nossa dimensão e, sobretudo, a manutenção de um clientelismo centralista intrafamílias e partidário.
E sabemos do que falamos: é que oito meses no Parque das Nações, mostraram-nos bem quem é que tinha e ainda detém as funções, os contratos, as benesses.
Mas o pior está ainda por evidenciar: é que a Parque Expo continua a ser uma sociedade largamente subsidiada. Os acordos com os ministérios ou instituições mais ou menos oficiais, continua a ser um sorvedouro ilimitado de dinheiro do contribuinte.
A Expo’98 acabou: paz à sua alma !
A devolução do Parque das Nações à cidade de Lisboa, integrando-a como um novo quarteirão, com o tratamento igualitário que outros bairros da cidade têm, é um objectivo político imediato a ser conseguido. Acabe-se com os privilégios do Parque Expo nomeadamente nas pesadas estruturas administrativas e de gestores. A Expo’98 acabou: enterre-se.
Basta de «provincianismo» centralista.

* E Mega Ferreira faria melhor em dedicar-se às suas actividades intelectuais, onde é meritório, e pensar menos no poder. E, por falar nisso, far-lhe-ia bem vir ao Porto, para receber o tratamento que o seu «amor» por esta cidade lhe merece e que testemunhei.

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