Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

14 de julho de 2008

Para a RF

Para a RF, num dia triste para ela e para todos os que a conhecem
30 de Janeiro de 2002

Não me perguntes porquê...porque não sei

Amor meu,

Vinha do Castelo do Queijo, passeando a vista pelos belos palacetes de Montevideu, com o Salazar a vigiar-me feito (e bem) Homem do Leme, e curvo para a Brasil, minha morada hoje e caminho de sonhos e namoricos e digestivos passeios em grupos a rever a vida e a programar borgas (recordas-te?), e a romântica Pérgula que se falasse poria a chorar muitos corações, como também se chora ao fixarmo-nos sobre o Homem do Salva-Vidas, duro, trágico, tal como nos "Pescadores" do Raul Brandão (que devias reler, tanta humanidade lá dentro), e o "afoga-cães", que não sei se destes afogou, antes, e pelo seguro, "desafogou" almas e corpos, e passei à "minha" praia, a da Luz, onde ainda trato as pedras por tu, cada taloca na memória, a poça, de 2 metros de largura e não mais que metro e meio de profundidade, e que, valente e orgulhoso atravessei a nado e que foi acto a merecer a Ordem de Santiago e Espada, e continuei pela Senhora da Luz, cruzei gentes que amo e me "pertencem" – como poderia viver sem eles? – e reflecti frente ao Moreira, o NOSSO Moreira, de horas perdidas e ganhas, em discussões, em olhares e desejos, a preparar o Douro em Vila Cova (que raiva!, que dor me aperta? Qual será?), e a desvendar ambições: a televisão a cores, o próximo automóvel, as férias. Avancei roído do tempo que passou, vi a barra, cujos poentes "faziam desmaios", como disse o António Nobre, e o farol mais bonito do mundo, porque quero que assim seja, e cheirou-me à maresia, ao nevoeiro espesso que nos esfria (ou aquece?) e mete a alma no lugar (como o vinho do Porto para a criada do Eça de Queiroz), e creio mesmo que ouvi a ronca, essa que gravei e que trouxe para fora, quando me "prostituí", e que ainda me soa quando a maldição do pensamento voa para aí.
0 Castelo não mexeu – como sempre! - ao passar defronte, resisti aos bolos do Chalé, a Matriz sobranceira lá estava, curvei os Pilotos. Passei pelo Chico Fininho e subi S. João, abanquei à porta do Faria e estavas lá. Estavas e estarás, porque...nunca passaria por lá sem ver a G à janela.

QZ

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