Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

26 de outubro de 2007

Notas sobre a Exposição Encompassing the Globe

Encompassing the Globe
(Bozar, Bruxelas)


Notas (rascunho) sobre a Exposição e catálogo aquando da visita de alunos de português da Escola Mercator de Gand.

Introdução
O nascimento de Portugal

A Mátria Galiza
A Gallaeccia romana - o galego – Afonso X, As Cantigas de Santa Maria em galego
O nascimento do país
Henrique de Borgonha (e seu primo Raimundo) e Teresa (filha bastarda)

1129 a primeira vez que aparece a palavra Portugal, em doação de A. Henriques
1139 Batalha de Ourique
1143 Tratado de Zamora
1147 Conquista de Lisboa, com os cruzados
1179 Bula Manifestis Probatum, do Papa Alexandre III, dá título de Rei.

Cronologia sintética das Conquistas e Descobertas
1415 - Conquista de Ceuta
- Desastre de Tânger
1430 (a partir) – Desc. Madeira e Açores, Canárias (para Espanha pelo Tratado das Alcáçovas, 1479)
1433 – D. Duarte
1437 – Desastre de Tânger
1438 – D. Afonso V
1444 - Cabo Verde
1449 – Batalha de Alfarrobeira (D. Afonso V e o Regente Infante D. Pedro, tio e sogro)
1461 – Plano com Cristiano I, da Dinamarca, para as navegações no Ártico
1462 - Serra Leoa
1481 - D. João II
1482 - Construção do Castelo de S. Jorge da Mina
1484 - Benim
1488 - Cabo Bojador, Diogo Cão
1491 – o Reino do Congo
1494 - Tordesilhas
1495 - D. Manuel I
1498 - Caminho marítimo para a Índia, Vasco da Gama
1499 - Labrador, Gaspar e Miguel Corte Real
Barbados, Canadá (cá/nada/há) Florida (Es ou Pt)
1500 - Brasil, Pedro Álvares Cabral
1512 - Molucas
1513 - China
1521 – D. João III
1543 – Japão... Austrália (?)
1557 – D. Sebastião
1578 – Cardeal Henrique

Notas sobre a Exposição e o Catálogo
1
- A expansão portuguesa no mundo tem lugar no séc. XV e em força (ver quadro). O subtítulo da exposição está errado, até pelo seu conteúdo. Deveria ser do séc. XV ao XVII e não do XVI.

O Padrão de 1482
Cópia do mesmo(?) no Museu de África de Tervuren
Episódio do ataque ao padrão da Foz do Zaire por um corsário inglês; será este o original?

O Mapa-Mundo
A Taprobana – Ceilão –Sri Lanka (os nomes portugueses nesta ilha)

As armas e os varões assinalados
que da ocidental praia lusitana
por mares nunca dantes navegados
passaram ainda além da Taprobana
em perigos e guerras esforçados
mais do que prometia a força humana
e entre gente remota edificaram
novo reino que tanto sublimaram

Luís de Camões (Lusíadas)

2
A Dinastia de Aviz
A crise 1383 a 1385: Aljubarrota – o Mosteiro de A.
1385/1433 D. João I e (1433) Filipa de Lencastre (Lancaster) – casamento no Porto; a aliança com a Inglaterra… a mais antiga no mundo;
A Ínclita Geração
1434 - Rei D. Duarte (filósofo: Leal Conselheiro, A Arte de Bem Cavalgar toda a Sela)
Infante D. Pedro – O das 7 Partidas, a carta de Bruges; a defesa da centralização régia e da moderação nas conquistas
Infante D. Henrique – a “Escola Náutica” (nasceu no Porto)
Infante D. Fernando - morreu cativo em Fez-o desastre de Tânger, a caução por Ceuta (as divergências fraternas)
Infanta D. Isabel – casou com Philippe le Bon –o povoamento dos Açores-Van Eyck
Infante D. João

Lisboa, o quadro de 1620 (dominação Filipina) – relação com o terramoto de 1755: O Palácio do Rei/Terreiro do Paço, o estaleiro, Castelo, Convento do Carmo, Casa dos Bicos, Sé; a Lisboa pombalina: ortogonal, a estacaria. As perdas documentais e artísticas.

A Queda de Ícaro – a representação da caravela portuguesa de transporte de especiarias para Antuérpia (Bruges primeiro). As Feitorias – Damião de Goês que defendeu Lovaina no cerco dos franceses

3
As especiarias – Veneza e “o turco”: a salvação (militar) e a decadência (comercial) de Veneza .
O Queimador de essências e especiarias, o sinal de modernidade extravagante, exótica.

A tapeçaria “ A Chegada de Vasco da Gama à Índia”, Flandres, Tournai; as fantasias criativas: animais e trajos; as encomendas de Portugal em tapeçarias (na Igreja de Pastrana: a tomada de Arzila, por D. Afonso V)

4
Banco feito dos ossos do elefante Solimão (1554) – oferecido a Maximiliano II, sobrinho de D. Manuel II;

Gravura de rinoceronte de Albrecht Dürer (que nunca o viu, porque morreu afogado no naufrágio da nau que o transportava) Foi oferecido a Leão X, por D. Manuel – as Embaixadas ao Papa deste Rei

Objectos de aparência (o exotismo como ostentação de riquezae poder)
O coco (“vinha do fundo do mar e era antídoto para venenos”) – a decoração com motivos náuticos
Os novos produtos (milho, batata, etc.) agrícolas importados para consumo e plantio

Os produtos mestiços (motivos europeus, artesãos índigenas) – A Companhia das Índias (a porcelana)

5
Bronzes de Benim – as decorações e os motivos portugueses no artesanato local. Os soldados e as armas.
Da semelhança das representações dos portugueses em diferentes espaços, na mesma época

O Preste João das Índias – o mito

O Reino do Congo – avassalagem a Portugal, a cristianização e o ensino da língua

6
A política de Sigilo e Tordesilhas: não está provado que foi um “acaso” como consta no catálogo da Expo, pág. 26 – é antes mais provável que Portugal tivesse conhecimento antecipado daquelas terras, se não porque puxamos o meridiano mais para oeste aquando das negociações de Tordesilhas?

A Carta do Achamento, Pero Vaz de Caminha - a literatura brasileira, para alguns, nasce.
Mais de 1 milhar de línguas ameríndias (hoje perto de 300) existiam na altura; o Pau-Brasil, os corantes;

Mapa 15 está errado: é a costa sul do Brasil e não a norte

Quadro o Engenho (pintura holandesa); a dominação filipina, o ataque às colónias e possessões portugueses (Luanda, Brasil, e na Ásia); a Invencível Armada
A ausência de homens de cultura, sobretudo artistas; os exemplos NL , FR e ENG.

Quadros com índios e negros: idealizados o canibalismo, as armas

As facetas da expansão portuguesa: conquistas, descobertas, comércio e colonização: Norte de África, as ilhas atlânticas, Goa, Malaca, Macau, etc. A verdadeira colonização no Brasil (as capitanias, a fuga da corte em 1809, Rio capital, etc); os jesuítas (Pe António Vieira, a defesa dos índios, a Inquisição)
(do catálogo, pág. 25) “Um império baseado mais no comércio que na posse” – não seria tanto assim, porque as conquistas e guerras na Ásia o provam, tal como as fortalezas, os combates marítimos, assim como a ocupação do Brasil.

O Cristo - ainda de modelo medieval

7
Progresso dos povos e ideologias; o tempo outro; a noção de direitos e de poder.

Afonso de Albuquerque – Ormuz, Goa e Malaca (ponto estratégico para o Mar da China e passagem da navegação das especiarias); inimigos: NL ENG e muçulmanos; queria desviar o Nilo para derrotar os egipcíos e conquistar Meca; O medo e o respeito.

8
S. Francisco Xavier – jesuíta basco (conheceu Inácio de Loyola); compormteu-se na evangelização acompanhando as naus portuguesas para Oriente; Fernão Mendes Pinto, autor da Peregrinação, apoiou financeiramente a sua ida ao Japão)

Marfins indo-portugueses (marca jesuíta no barco)

9
Índia – Ceilão/Taprobana
O fim do Império na Índia, com Salazar nos anos 60; na actualidade

Charles Boxer e as razões da manutenção do vasto Império por um país pequeno

Goa, sede de Vice-Reino; a descentralização por força da grandeza do Império do Oriente.

10
Na China em 1513.

A miscigenação artística (as duas Virgens/deusas budistas)

Aquamanil, modelo e feitura chinesas com motivos portugueses de encomenda; a porcelana (só no séc XVIII os europeus conseguiram o segredo – o azul da faiança de Delft, p.e.)

A importação do saberes chineses: a porcelana, a pólvora, a cosmologia, etc.

A Igreja de S. Paulo, construída em 1601 (jesuíta) por cristãos japoneses fugidos às perseguições na sua terra e que ruiu em 1835 por incêndio, mantendo-se agora apenas a fachada

11
Em 1543 o Japão – Tenegashima
Os bárbaros so Sul “Nambam”
As armas de fogo; a influência portuguesa

A cristianização – a conjura protestanto/comercial NL – a proibição do cristianismo em 1614; os Mártires de Nagasáqui (1622) – os cripto-cristãos – a actualidade

A Artae Nambam – o barco vindo de Goa; os portugueses

A Austrália – quem descobriu? O cavername de barco português descoberto. Teria então sido em 1522, por Cristóvão de Mendonça (conforme livro recentemente publicado), ou no fim do séc. XVIII por Cook?

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