Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

13 de setembro de 2006

Meu caro poeta

(um prefácio... não sei se publicado)
Meu caro poeta,

Das palavras cerradas em ameias encerradas e providas de altos portões de robustas ferragens, aos soltos e cantados versos da feira, dos campanários e das tascas, por tudo passei e passo em deleite e proveito, quando se lhes atravessa um entender sincero e se encontra o étimo do expresso.

Da demanda do tempo e da luz de que somos feitos são estas páginas, que o mesmo é dizer, da interrogação primordial da qual fazem oração diária os verdadeiros, os simples, os que nunca sabem deveras, e, por tal, se aproximam dos deuses.

O mundo não aguenta a narração de mais nada, daí o retorno ao verso, ao verbo. O desajuste do literal às respostas procuradas é coisa assente. O verso, sobrante, ascende à explicação questionante do real, via única. De quem sou eu? De quem sou?, interroga-se o poeta. Na poesia toda está a réplica, a que nos faculta partes do entendimento.

Se este livro é primeiro no chrónos não sei, nem importa. Todos são primeiros quando não se abdica da coragem e assim se consegue tornar o futuro mais cedo.

Bruxelas, 13 de Setembro de 2006

Joaquim Pinto da Silva

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