Apresentaço: Sábado, 26 de Junho, às 18,30 h no Hotel da Boa Vista na Foz, Esplanada do Castelo, junto ao Castelo da Foz. Edição de O Progresso da Foz.
Se a literatura prescindisse daquelas histórias simples onde as narrativas surgem despojadas, puras e sem ornatos, perderia por certo poder, influência e também parte da sua capacidade de atracção. Remetida às construções complexas e elegantes e à profundidade da evocação e da reflexão, cedo seria pasto do tédio e do enfado, por força da falta de alimento que lhe advém do contacto com o mundo e com essa outra literatura, oral ou escrita, plena de temas, de imagens e de aliciantes caminhos.
O livro de José Rosas Nicolau de Almeida, Um Menino da Foz, a sair em breve*, faz parte dessas insubstituíveis crónicas em que se a escrita não é de academia, a narração essa, em estilo simples e quase oral, nos prende e deleita.
O Zé, oriundo de “família da Foz”, amarrado às teias sociais próprias àquele meio, conta-nos em linguagem da época, a história da sua vida, desde os bancos da escola da D. Ângela e das Mademoiselles governantas, até à passagem pela enologia – uma paixão de família, vê-se! – e à vida de emigrante em França.
Retrata-nos, com um humor imparável e original as peripécias próprias e, em muitos casos partilhadas por toda uma geração (dos anos 60) de uma localidade (a Foz do Douro): as suas frustações, indecisões, desesperos e derrotas, entremeadas pelos momentos também inesquecíveis das alegrias, das loucuras e transgressões, férteis naquele tempo de conflitos sociais e de gerações e de mudanças.
Essa vivência juvenil e adolescente, a passagem pela guerra em Angola (onde “esperavam o dia inteiro pela noite, e, à noite, iam para a cama cansados de esperar"), a emigração como necessidade e o encontro com o amor são as marcas principais de um trajecto rico e vivido que conflui, de forma natural nesta colorida narrativa, numa maturidade que se enraíza na coragem do afrontar das opções.
No cenário da Foz, do Porto, de Portugal e da Europa, um relato sincero, comovente e cheio de humor de um filho da "alta", como o autor se diz, que “se fez à vida” por si e que triunfa naquilo que é, deveria ser, o elemento de procura essencial do Homem: a felicidade… "não deixando de ser quem é".
Joaquim Pinto da Silva
10 de junho de 2010
De Menino da Foz para Homem do Mundo
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