Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

3 de outubro de 2008

CARTA A ORLANDO GASPAR, 17.12.1997

Ex.mo. Senhor Orlando Gaspar,

Dos resultados das eleições autárquicas publicados constatam-se as vitórias indiscutíveis do seu partido em todas as freguesias da cidade do Porto, menos nas de Nevogilde, o que é tradicional e não provoca admiração, e ainda na da Foz do Douro, o que constitui, em absoluto, um caso extraordinário.
Este caso bem merece uma reflexão aprofundada de todos nós e, a nosso ver, das estruturas do Partido Socialista.
É aparentemente «inexplicável» que os vossos candidatos na Foz do Douro não tenham beneficiado da corrente entusiástica que beneficiou o PS no Porto.
Mas, o Senhor possuía, desde Julho de 1997, elementos que poderiam ter avisado o PS (ver anexo). Nessa altura tivemos a oportunidade de lhe enviar todo um dossier em que provávamos que os autarcas da Foz do Douro em exercício, não só não estavam a convencer a população (o que não é nosso problema), como pior ainda, levaram para o campo adversário pessoas, colectividades e um jornal, que naturalmente nunca lhe pertenceriam (o que é nosso problema).
Aqueles autarcas confundiram independência com oposição e pequena crítica com inimizade, ao bom velho estilo de anteriores governações, tão criticadas e com razão.
Satisfeitos, mas não rancorosos, pela sua derrota não o estamos de forma nenhum com a do PS naquela freguesia, até porque somos apartidários. Daí que, ainda mais uma vez, venhamos juntos das estruturas do PS reclamar o direito a sermos analisados imparcialmente e a retomarmos relações normais com o Partido que dirige a cidade do Porto.
Com os nossos cumprimentos.

17 de Dezembro de 1997

Cópia enviada aos dirigentes, distritais e da cidade do Porto, do PS: Narciso Miranda e Fernando Gomes.

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