Ser penedo é ser por fora o que se é por dentro (Teixeira de Pascoaes)
... é como ser transparente.

2 de outubro de 2008

Batalha da Europa, Batalha da Cultura

Janeiro de 1997
“Tinham-se erguido muros altos, longo tempo, invencível distância”
António Rebordão Navarro
Diversos e concomitantes são (têm sido) os caminhos da integração europeia. Os níveis de actuação diferem entre a acção intergovernamental, a decisiva mas não unívoca, e outros que vão das políticas comuns já acordadas até à colaboração entre organismos ou associações a nível europeu, passando ainda pela cooperação entre regiões culturalmente autónomas.
No sentido de reforçar a base cultural do processo de integração europeia, isto é, o respeito pela diferença de identidade, o Governo da Região de Flandres, uma das três regiões da Bélgica, lançou uma instituição, a Fundação Europa das Culturas 2002. Pretende-se com esta Fundação e através da congregação dos interesses das regiões culturalmente bem definidas, independentemente de constituírem ou não um Estado autónomo, influenciar todo o processo de decisão comunitário, a começar, desde já, pela elaboração do novo Tratado da União, em preparação através da chamada Conferência Intergovernamental.
As propostas de emendas apresentadas pela Fundação Europa das Culturas 2002 pretendem representar uma visão anti-centralizadora da Europa, que não sendo exaustiva, dados os compromissos em que nasceu, apontam a via a trilhar pelos povos nessa permanente luta pela democracia e a liberdade.
A penúltima reunião geral desta importante Fundação teve lugar em Roma, já que a Itália presidiu à União Europeia no primeiro semestre de 1996, em Junho passado. Reafirmou-se o papel da cultura como “devendo ser a base do Tratado da União e não ter apenas um carácter acidental ou marginal”, acentuou-se a necessidade de criar uma rede das regiões culturais e apontou-se os elementos culturais como devendo obrigatoriamente fazer parte da estratégia económica, integrando-se nela e provocando, por esse facto, um maior crescimento.
Estivemos presentes a título de membro fundador, mas pensamos que, doravante, em estreita ligação ao nosso grupo cultural e jornal, poderemos funcionar informalmente como um núcleo local daquela Fundação, criando desde já uma coluna informativa sobre as questões europeias e da Europa das Culturas 2002.
O Progresso da Foz, independentemente de continuar a ser — e com muita honra! — um grupo e um jornal local, nunca cedeu, nos princípios e na prática, ao provincianismo que alguns lhe queriam impor, do “a Foz e só a Foz” ou ainda ao abstencionismo social e político do “jornal de curiosidades e histórias da Foz”.
“... Tinham-se erguido muros altos, longo tempo, invencível distância”, mas, persistentemente, os muros, os tempos e as distâncias se destroem e reduzem. Serenamente caminhamos para uma nova fase: sempre críticos, sempre respeitadores, sempre abertos. *

(publicado n'O Progresso da Foz)

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